Sarkozy admite erros e tenta recuperar popularidade

'Talvez eu não me expliquei o bastante', diz líder francês, prometendo reformas para o país

Reuters,

24 de abril de 2008 | 17h38

Com baixa popularidade, o presidente francês Nicolas Sarkozy admitiu ter cometido erros durante seu primeiro ano de governo, mas defendeu sua atuação e prometeu novas reformas nesta quinta-feira, 24. Dificuldades econômicas e problemas pessoais provocaram a queda recorde na popularidade do chefe de Estado, apenas 12 meses depois do início de seu mandato. "Talvez eu não me expliquei o bastante, talvez eu cometi alguns erros", declarou, em entrevista televisionada nas duas maiores emissoras da França.   Veja também: Sarkozy lança reforma constitucional criticada por socialistas   As declarações foram vistas como uma tentativa de levantar a popularidade de Sarkozy. O presidente francês disse que as circunstâncias estavam contra ele, culpando a alta do petróleo, a crise do crédito e a desvalorização do euro frente ao dólar como responsáveis pelos baixos indicadores da França.   "A conclusão que eu tiro disso tudo é que tal choques precisam de uma reforma, para serem mudados e adaptados", disse. Sarkozy reiterou seu objetivo de balancear o orçamento até 2012 e disse que isso é "perfeitamente possível" para a economia francesa crescer e alcançar a marca de crescimento do ano passado, de 1,9%.   "Eu irei aumentar o poder de compra dos franceses e conseguirei baixar os preços ou qualquer taxa de aumento controlada", afirmou, reclamando que os preços dos supermercados franceses subiram mais no último ano que em qualquer outro país europeu.   Em uma pesquisa publicada na revista Paris Match nesta quinta-feira, 72% das pessoas desaprovaram a gestão de Sarkozy, 65% disseram que ele não cumpriu as promessas de campanha e apenas 17% dos entrevistados declararam que o presidente francês é melhor que seu predecessor.   Pressão   "Sarkozy tem que acalmar a França nesta noite e restaurar sua credibilidade perdida nos últimos meses", disse a diretora do instituto de pesquisa de opinião IPSOS, antes do programa. "Ele tem que apresentar suas reformas. A França quer mudanças", acrescentou.   O chefe de Estado francês prometeu ser o "presidente do poder de compra" durante sua campanha em 2007, mas a esperada injeção na economia falhou durante o governo. Em janeiro, Sarkozy disse que não podia fazer nada porque os cofres "estavam vazios". A declaração custou caro e minou a confiança dos franceses em suas promessas eleitorais.   Sarkozy também precisará tentar melhorar sua imagem como um sério chefe de Estado após diversas acusações de que ele levaria uma vida de celebridade, mantendo-se longe de seu escritório. Em outubro, Sarkozy se separou de sua mulher e pouco tempo depois casou-se com a cantora Carla Bruni, provocando muitos comentários entre os críticos.

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