Yves Logghe/AP
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Sarkozy admite possibilidade de derrota em eleição de abril

Presidente conservador está atrás de candidato socialista nas pesquisas de intenção de voto

Reuters

24 de janeiro de 2012 | 15h22

PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, enfrenta a possibilidade de perder poder na eleição de abril, admitindo a assessores que a liderança eleitoral persistente de seus rivais socialistas indica que seus dias podem estar contados.

 

O líder conservador, que enfrenta índices desanimadores enquanto a França segue no terceiro ano de crise econômica, pareceu estranhamente derrotista ao declarar durante uma viagem de fim de semana à Guiana Francesa que a eleição pode significar o fim de sua carreira política.

 

"De todo mundo, estou no final", disse Sarkozy a assessores e a um grupo de jornalistas em comentários feitos em off, vazados na mídia francesa na terça-feira. "Pela primeira vez na minha vida estou diante do fim da minha carreira."

Conhecido por seu ritmo de atividade frenético e pela tendência à microgestão, Sarkozy disse que, se perder os dois turnos da eleição -em 22 de abril e 6 de maio-, ele abandonará a política e trocar a vida pública por um trabalho mais tranquilo, com fins de semana de quatro dias. "De qualquer forma, mudarei minha vida por completo, vocês não ouvirão mais nada de mim", afirmou ele, nas declarações publicadas nos diários Le Monde e Le Figaro.

Há meses Sarkozy aparece atrás do socialista François Hollande nas pesquisas eleitorais e tem logo atrás de si a líder de extrema direita Marine Le Pen e o centrista François Bayrou. Hollande poderá derrotá-lo por 10 pontos percentuais no segundo turno, indicam as pesquisas.

A ministra francesa do Meio Ambiente, Nathalie Kosciusko-Morizet, fotografada ao lado de Sarkozy durante uma viagem de barco na Guiana, minimizou os comentários, dizendo que eles são um "não-acontecimento" e que a mídia está lhes dando uma conotação política não apropriada.

Um antigo assessor de Sarkozy disse à Reuters que ele estava apenas sendo honesto. "Sarkozy sempre diz o que pensa. Ele disse que espera vencer, mas pode ser derrotado; é apenas a verdade. É uma grande descoberta, sim, mas ele não é tolo", afirmou ele. "Imagine se ele tivesse dito que não havia chance de ser derrotado -a manchete teria sido: 'Esse cara é louco'." 

Última hora 

Orador poderoso que tomou a França de uma vez na campanha de 2007 ao se retratar como um sopro de ar fresco que poderia ajudar as pessoas a trabalhar mais para ganhar mais, Sarkozy aguarda uma data mais próxima ao prazo de 16 de março para anunciar sua candidatura à reeleição.

Entretanto, há meses ele está em compasso de campanha, usando um discurso de ano-novo televisionado para fazer um apelo para que a nação permanecesse firme em face da crise econômica e anunciar um plano anticrise de 430 milhões de euros contra o desemprego na semana passada.

Ele disse a assessores que está confiante de que poderá atrair eleitores com uma vigorosa campanha de último minuto que será honesta sobre os erros cometidos no governo, mas o mostrará como o mais indicado para tornar a França mais competitiva e sair da crise.

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