Sarkozy anuncia investimentos para áreas pobres na França

Presidente francês apresenta plano em bairros que foram palco da onda de violência e confrontos em 2005

Efe,

08 de fevereiro de 2008 | 10h41

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentou nesta sexta-feira, 8, um plano para os violentos bairros periféricos das grandes cidades, destinado especialmente aos jovens e que tem como grandes eixos a educação, o emprego, o transporte e a segurança. O Estado destinará 500 milhões de euros em cinco anos para financiar meios de transporte público e tirar do isolamento esses bairros, anunciou o presidente francês, que disse que quer "reinventar a cidade". "É inadmissível que em certos bairros da República a população esteja sob prisão domiciliar", disse Sarkozy, ao utilizar este termo jurídico como metáfora para descrever o efeito da falta de transporte público urbano nessas áreas. O plano também prevê o que Sarkozy definiu como "contratos de autonomia", a fim de ajudar cerca de 100 mil jovens a encontrar emprego nos próximos três anos, assim como a difusão das "escolas da segunda oportunidade", para os que abandonam a escola sem qualificação ou sem terminar sua formação. Ao apresentar o plano intitulado "uma nova política para os subúrbios", Sarkozy insistiu várias vezes em que o Estado ajudará os jovens que quiserem "se ajudar" e prosperar, mas que declarará "uma guerra" contra o "tráfico e os traficantes". O presidente francês anunciou que mais 4 mil policiais serão mobilizados em três anos nos bairros "sensíveis", para manter a ordem e combater a violência urbana. "Colocaremos fim à lei das quadrilhas, do silêncio, do tráfico" e haverá "uma luta sem quartel contra os traficantes de drogas, os mafiosos e os arruaceiros", disse. Sarkozy, que prometeu "assumir plenamente a responsabilidade, a aplicação, o acompanhamento e os resultados" desta "guerra" anunciada, disse que assume tudo o que "disse" e "fez" no passado a respeito dos bairros conflituosos, em referência às polêmicas declarações nas quais, quando ainda era ministro do Interior, falou de limpar esses bairros com "mangueira de pressão" e chamou de "gentalha" certos jovens, pouco antes da onda de violência que assolou dezenas de regiões durante três semanas em 2005. Sarkozy iniciou seu discurso no Palácio do Eliseu, recebido por vários membros do governo, empresários, representantes de associações e autoridades locais, com a lembrança do "fracasso" de 20 anos de políticas para bairros periféricos de Paris e de outras grandes cidades que são focos de desemprego, pobreza, exclusão e criminalidade, e com muitos habitantes procedentes da imigração. "Nesses últimos 20 anos, pelo menos aprendemos que não bastava com criar um Ministério da Cidade, desbloquear recursos nem pintar os edifícios para que em certos bairros cada vez mais habitantes não se sintam abandonados por todos" e "marginalizados" da República e de suas leis, afirmou o chefe de Estado. Após dizer que há bairros "onde se têm menos direitos e menos oportunidades que em outros", onde a vida é "mais dura", Sarkozy afirmou que quer uma "política de igualdade de oportunidades em todo o território", "uma França onde não se fale mais de bairros sensíveis, mas de bairros populares onde é bom viver".

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