Sarkozy anuncia que reduzirá arsenal nuclear aéreo da França

Em discurso em Cherbourg, presidente lança à comunidade internacional propostas de desarmamento

Efe,

21 de março de 2008 | 09h54

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta sexta-feira, 21, a redução em um terço do componente aéreo do arsenal nuclear da França, e lançou à comunidade internacional propostas de desarmamento, como a abertura de negociações para proibir os mísseis terra-terra de curto e médio alcances com ogivas atômicas.   Sarkozy, que assistiu ao lançamento de um novo submarino atômico lança-mísseis, disse que a redução nas armas atômicas, mísseis e aviões deixará a França com menos de 300 ogivas nucleares. "Metade do que chegou a ter durante a Guerra Fria" afirmou o presidente francês.   O arsenal nuclear francês se baseia em dois componentes: o aéreo e o naval, integrado atualmente por três submarinos lança-mísseis. Sarkozy escolheu o lançamento do submarino "Le Terrible", em Cherbourg, no noroeste do país, para seu primeiro discurso totalmente voltado a defender a dissuasão nuclear desde que chegou ao Palácio do Eliseu.   Segundo o presidente francês, a decisão é "estritamente defensiva" e deve ser adaptada aos interesses vitais da França, e também leva em conta suas alianças e "a construção européia". Para ele, as forças nucleares francesas são "elemento-chave" para a segurança da Europa.   Em seu discurso, Sarkozy ainda propôs aos membros da União Européia (UE) "que reclamem um diálogo aberto sobre o papel da dissuasão e sua contribuição para a segurança do bloco".   "Nosso compromisso com a segurança dos membros europeus é a expressão natural de nossa união cada vez mais estreita. O Tratado de Lisboa é um avanço histórico", acrescentou Sarkozy, citando o acordo que substituiu a Constituição Européia de 2004.   Há dois anos, o então presidente francês, Jacques Chirac, gerou polêmica na Europa ao ameaçar com uma resposta nuclear os países que praticassem terrorismo ou ameaçassem os abastecimentos estratégicos da França e de seus aliados.   Em sua fala, Sarkozy não definiu com precisão os "interesses vitais" da França, mas deixou claro que "não baixará a guarda". Disse que, dentro do estudo que encomendou para elaborar um "conceito global de defesa e segurança nacional" até 2015, assumirá o custo orçamentário da dissuasão nuclear, o que chama de "seguro de vida da França".   Segundo o chefe de Estado francês, os que ameaçarem atacar os interesses vitais da França estarão se expondo a uma resposta severa, com prejuízos para os responsáveis.   Sarkozy afirmou que a França nunca participou de uma corrida armamentista e que mantém seu arsenal ao nível mais baixo possível, compatível com o contexto estratégico.   "Proponho a abertura de negociações sobre um tratado que proíba os mísseis terra-terra de curto e médio alcances", afirmou. Sarkozy também propôs à comunidade internacional a rápida abertura de negociações para proibir a produção de matérias-primas para armas nucleares e a criação de uma moratória sobre essa fabricação.   Após lembrar que há oito Estados no mundo que declararam ter realizado testes nucleares, propôs à comunidade internacional "um plano de ação", com o qual chamou as potências atômicas a se comprometer "decididamente" até a conferência sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) em 2010.   O presidente francês pediu que todos os países ratifiquem o tratado de proibição completa dos testes nucleares, "começando com a China e os Estados Unidos" que o assinaram em 1996, e chamou as potências nucleares a desmantelar "todas" suas instalações de provas desse tipo.   Também convocou todos os países a aderir e aplicar o Código de Conduta de Haia contra a proliferação de mísseis balísticos, assim como - segundo ele - a França.   Texto alterado às 15h11

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