Sarkozy anuncia volta da França a comando militar da Otan

A França está fora do comando desde 1966 e o presidente afirmou que 'independência não estará em questão'

AP e Efe,

11 de março de 2009 | 15h11

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que "chegou o momento" da reintegração plena da França à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com seu retorno ao comando militar, como um passo necessário para enfrentar condições de segurança que mudaram "radicalmente". O país está fora desse comando desde 1966 e Sarkozy ressaltou que "a independência não estará em questão", em uma clara mensagem aos críticos segundo os quais o governo francês estaria abrindo mão de parte de sua soberania nacional em prol da aliança. O líder francês também ressaltou que o país manterá o controle sobre seu arsenal nuclear. O presidente Charles de Gaulle retirou a França do comando da Otan nos anos 1960, como forma de assegurar a soberania do país nos anos da Guerra Fria. Porém nesse período o país se manteve como membro da Otan. "A França não é mais ameaçada por uma invasão militar", as ameaças atuais são muito diferentes, segundo o chefe do Estado francês, que ressaltou que "uma nação solitária é uma nação que não tem nenhuma influência". Segundo Sarkozy, as novas ameaças exigem maior cooperação militar internacional. "Chegou a hora de por um fim a essa situação", afirmou ele em Paris, referindo-se ao fato de a França não fazer parte do comando militar da aliança. Sarkozy fez estas declarações no encerramento de um colóquio sobre a França, a defesa europeia e a Otan, com a participação, entre outras autoridades, do secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer, e do alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Javier Solana. O presidente francês aproveitou a ocasião para explicar sua decisão de que França volte a participar plenamente do comando militar da Otan e para rebater as críticas de que isso implica em perda de soberania. Sarkozy disse que é justamente o afastamento da França da Otan que limita sua independência nacional. O porta-voz da Otan, James Appathurai, disse que a organização considera que o anúncio francês do retorno à estrutura militar integrada da organização beneficia a França, a Aliança e a União Europeia. É uma situação na qual "todos ganham", disse Appathurai, em declarações antes do anúncio feito pelo presidente francês. Para a França, significa o reconhecimento de sua "contribuição significativa" à Aliança, já que está entre os quatro países que oferecem mais meios e efetivos para as missões da organização, acrescentou o porta-voz. A decisão de Sarkozy de voltar à estrutura militar da Aliança deve se concretizar durante a cúpula que a Otan realizará no início de abril por ocasião dos 60 anos de sua criação, nas cidades de Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha).

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