Sarkozy apresenta plano polêmico sobre imigração na França

Lei de imigração, se aprovada, trará teste de DNA ligando imigrantes na França e familiares que entrem no país

Agência Estado e Associated Press,

18 de setembro de 2007 | 20h06

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentou nesta terça-feira, 18, um amplo plano de reformas sociais, ao mesmo tempo que o Parlamento debatia propostas polêmicas para endurecer a entrada de imigrantes no país. A nova lei de imigração, se aprovada, pode estabelecer testes de DNA para comprovar o parentesco entre imigrantes que estão na França e familiares que queiram entrar no país. Os novos imigrantes também terão de comprovar que podem se sustentar financeiramente e têm domínio da língua francesa. Sarkozy, cuja campanha baseou-se no tema de identidade nacional, vem sendo acusado de discriminação. O presidente francês estabeleceu metas para deportação de 25 mil imigrantes ilegais até o final do ano - atualmente entre 200 e 400 mil imigrantes ilegais vivem na França.  As medidas propostas causaram mal-estar dentro do próprio governo, qualificado por Sarkozy como "governo de abertura" por causa da nomeação de políticos de origens e partidos diversos. "O que me incomoda é que isso envergonhará estrangeiros que querem viver em nosso país. Isso é chocante", criticou a secretária para Municípios, Fadela Amara, de origem argelina. Além da oposição em relação à nova lei de imigração, Sarkozy terá pela frente a dura tarefa de conseguir a aprovação das reformas sociais apresentadas nesta quinta-feira. O presidente francês quer cortar os planos especiais de aposentadoria de algumas categorias, como a dos maquinistas e eletricistas, que lhes permitiram aposentar-se cedo - aos 55 anos - e contar com todos os benefícios. "O objetivo é igualar os planos especiais ao regime do serviço civil, que foi reformado em 2003", disse o presidente.  Sarkozy criticou também os altos seguros-desemprego, afirmando que esse tipo de pagamento desencoraja os franceses a encontrarem trabalho. Para o presidente, os franceses precisam trabalhar mais. "Esse sistema é financeiramente inviável", disse. Outra reforma polêmica será o relaxamento da lei trabalhista de 35 horas de trabalho semanais. De acordo com Sarkozy, a norma inflexível é responsável pelo desemprego na França. Até agora, as pequenas reformas anunciadas pelo governo francês não levaram a grandes manifestações, mas os dias de paz de Sarkozy estão no fim. Partidos de esquerda pediram nesta quinta-feira "todas as mobilizações necessárias" para protestar contra os projetos "anti-sociais" apresentados por Sarkozy. Para a esquerda francesa, os trabalhadores do país enfrentam agora "maior ofensiva anti-social dos últimos 50 anos". A polícia francesa abriu um inquérito preliminar para investigar a compra de um apartamento feita por Sarkozy e sua mulher, Cécilia. O jornal Le Canard Enchaine afirmou em fevereiro que o casal havia pago 300 mil euros a menos do que o preço de mercado por um apartamento perto de Paris, em 1997. O prédio foi construído por um empreiteiro do distrito de Neuilly, do qual Sarkozy foi prefeito.

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