Sarkozy cede espaço à esquerda em eleições municipais

Partido do presidente evita derrota esmagadora, mas pode perder importantes cidades se não obter apoio

REUTERS

10 de março de 2008 | 10h46

O partido de centro-direita União por um Movimento Popular (UMP, do presidente Nicolas Sarkozy) sofreu derrotas no primeiro turno das eleições municipais francesas no domingo, 9, mas evitou a derrota esmagadora que muitos previam. Os resultados indicam que o Partido Socialista mantém de forma convincente a prefeitura de Lyon, segunda maior cidade do país, e deve se reeleger também no segundo turno de Paris, no dia 16.  A votação municipal é o primeiro teste eleitoral para Sarkozy desde sua posse como presidente, há dez meses - período em que suas taxas de aprovação desabaram, por causa da inflação e do foco excessivo na vida pessoal dele, o que inclui o casamento com a modelo e cantora Carla Bruni. O jornal Le Parisien viu no primeiro turno um "alerta" para o governo, mas a oposição pediu a seus seguidores que não se dêem por satisfeitos e mantenham a mobilização para o próximo fim de semana. "Tudo continua em aberto, nada foi ganho nem perdido", disse o líder socialista François Hollande. Os partidos de esquerda ficaram com 47,94% dos votos de domingo, contra 45,49% dos conservadores. O comparecimento foi relativamente elevado, de 65%. Muitos analistas previam uma surra eleitoral da esquerda. "Um efeito perverso das pesquisas de opinião: você se vê acreditando em uma vitória esmagadora, ela não acontece, e a frustração toma conta do sucesso", disse editorial do jornal esquerdista Libération. As disputas mais emocionantes do dia 16 irão ocorrer nas cidades de Marselha, Toulouse (ambas no sul) e Estrasburgo (leste). Essas localidades são governadas pelos conservadores, mas podem cair nas mãos da esquerda. Para os socialistas e o UMP, a semana será de busca por apoios no segundo turno, especialmente o do Movimento Democrático (Modem), cujo líder, François Bayrou, foi o terceiro colocado na eleição presidencial de 2007 e até agora não quis apoiar nem a esquerda nem Sarkozy, para não subestimar o resultado. "Estou convencido de que este voto, que em geral se encaminhou para a esquerda, não foi um voto de apoio aos socialistas, mas um voto de alerta contra os que estão no poder", afirmou. O instituto Opinionway disse que 27% dos votantes quiseram punir o governo por seu mau desempenho, enquanto 56% afirmaram não estar pensando nisso. O primeiro-ministro François Fillon disse que o governo manterá as propostas de reformas, apesar da derrota eleitoral, e acusou os adversários de exacerbarem tensões nacionais para tentar obter vantagens locais. "O que está em jogo hoje é a administração das nossas cidades, aldeias e províncias", disse ele. A direita conseguiu ainda algumas vitórias isoladas, notavelmente em Bordeaux, onde o ex-premiê Alain Juppé se reelegeu prefeito com ampla margem. Dos 13 ministros que disputavam prefeituras (na França pode-se acumular os cargos), 6 venceram, e os outros 7 passaram ao segundo turno.

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaEleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.