Sarkozy chega a Moscou para negociar crise na Geórgia

Presidente francês e líder da União Européia reitera apelo para que Rússia retire tropas do território georgiano

Agências internacionais,

08 de setembro de 2008 | 09h49

O presidente francês Nicolas Sarkozy - atualmente na Presidência da União Européia - chegou a Moscou nesta segunda-feira, 8, para discutir a crise na Geórgia com o presidente russo Dmitry Medvedev. O representante da UE pediu para que a Rússia cumpra o cessar-fogo que obriga o país a retirar suas tropas que permanecem em território georgiano.   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia   A Rússia foi condenada internacionalmente por invadir a Geórgia para em 8 de agosto, um dia depois de forças georgianas terem lançado uma ofensiva militar contra a Ossétia do Sul, uma região separatista da Geórgia com aspirações pró-Moscou. Depois do conflito, a Moscou reconheceu as declarações de independência das regiões georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, feitas no início da década de 1990. Ambas possuem grandes comunidades russas. Sarkozy mediou o acordo de cessar-fogo para o fim do conflito, entre eles o da retirada das tropas russas de território georgiano. A Rússia afirma que está cumprindo sua parte, mas vários países europeus discordam.   Sarkozy foi acompanhado do chefe de política internacional da UE, Javier Solana, e do chefe da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. "não tenho dúvidas de que se cada um agir com responsabilidade, encontraremos uma solução", afirmou Sarkozy. "Como nossos amigos russos, queremos firmemente defender nossas convicções".   A Rússia afirma que as tropas em território georgiano, dentro e fora das províncias separatistas, são integrantes das forças de paz previstos no acordo de cessar-fogo. Alguns líderes já avisaram que a normalização de relações com a Rússia só será possível quando o acordo de paz for implementado - a União Européia suspendeu conversações sobre um acordo de uma nova parceria com Moscou. Os europeus também devem pressionar o governo russo a permitir que uma missão internacional monitore os acontecimentos em campo.   Processo em Haia   Também nesta segunda, começam as audiências emergenciais na Corte Internacional de Justiça, em Haia, sobre as queixas apresentadas pela Geórgia para por fim à suposta limpeza étnica promovida pela Rússia no conflito entre os dois países. A Geórgia acusa a Rússia de cometer abusos de direitos humanos e pede à corte que ordene medidas de proteção, para impedir a Rússia de supostamente aterrorizar georgianos e para permitir que refugiados retornem a áreas dominadas pela Rússia durante a campanha militar na Geórgia.   Especialistas em direito internacional dizem que as chances de que o caso venha a ser aceito pela Corte dependem da capacidade da Geórgia em provar que a Rússia vem realizando uma campanha sistemática de limpeza étnica na região. A expectativa é de que a Rússia questione a jurisdição da corte, ou argumente que a situação está fora de seu controle. Se a corte aceitar a queixa, pode ordenar medidas emergenciais imediatamente. Um julgamento poderia levar anos.   A política de "limpeza étnica" que o governo georgiano denuncia não se refere somente aos fatos do mês passado, mas ao período que vai desde "começos dos anos 90 até a atualidade". Tbilisi denuncia também na Corte o apoio que a Rússia dá ao "separatismo" em território georgiano.   Por sua parte, a Rússia acusa a Geórgia de ter cometido crimes contra a humanidade durante a rápida ofensiva lançada no início de agosto, com a qual Tbilisi pretendeu recuperar o controle sobre a Ossétia do Sul - ofensiva que desencadeou a resposta russa.   Segundo fontes oficiais georgianas, o Ministério da Justiça começou a preparar o caso contra a Rússia no começo do ano, mas a invasão russa deste verão, "que provocou uma nova onda de limpeza étnica", forçou a Geórgia a acelerar o procedimento. O governo georgiano pediu à corte que, enquanto analisa se é competente ou não para julgar o caso - o que pode levar meses -, decida em caráter urgente uma adoção de "medidas provisórias" para obrigar a Rússia - que ainda ocupa parte da Geórgia - a parar a violência das tropas ou das milícias e mercenários aos quais apóia.   Tbilisi apresentou sua denúncia na Corte em 12 de agosto, se baseando na Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965, da qual ambos os Estados são signatários. "A Federação Russa assumiu o controle de toda a Ossétia do Sul e da Abkházia, assim como de áreas adjacentes situadas dentro do território da Geórgia, após a invasão lançada em 8 de agosto", ressalta a reivindicação. A Corte programou três dias de audiências para decidir sobre a solicitação de medidas urgentes de proteção.

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