Sarkozy começa a expulsar ciganos búlgaros e romenos na quinta-feira

Avião com 79 pessoas a bordo partirá para a Romênia; governo quer incentivar 'deportação voluntária'

estadão.com.br,

18 de agosto de 2010 | 12h39

Criança cigana em acampamento em Lille. Foto: Pascal Rossignol/Reuters

PARIS - O governo francês começará a deportar ciganos romenos e búlgaros que vivem ilegalmente no país a partir desta quinta-feira, 19. A medida faz parte da política do presidente Nicolas Sarkozy de endurecer a política contra a imigração ilegal.

 

Um primeiro avião com 79 ciganos a bordo partirá amanhã para a Romênia e será seguido por outros dois - um no dia 26 e outro "no fim de setembro"-, até completar a cota de pelo menos 700 pessoas deportadas, anunciou o ministro de Interior francês, Brice Hortefeux.

 

Ele é o responsável por dirigir a ofensiva contra os ciganos, lançada no dia 28 de julho por Sarkozy, quando anunciou o desmantelamento da metade dos acampamentos ilegais no país em um prazo de três meses. Menos de um mês depois, mais de 50 instalações deste tipo já foram desmanchadas.

 

Agora começarão as deportações, ou "retorno voluntário", como disse o ministro de Imigração Éric Besson, em declarações publicadas hoje pelo jornal "Le Parisien", nas quais ressalta que não se pode falar em expulsões.

 

Deportação voluntária

 

Segundo o governo, são deportações "voluntárias" de imigrantes que aceitam ir embora em troca de um bilhete de avião e 300 euros por adulto ou 100 euros por criança, e que, em muitos casos, acabam voltando para a França.

 

A partir de setembro, o governo reforçará o controle de registros dos beneficiados, para que não sejam feitas falsificações de identidades para receber as ajudas duas vezes. Para isso, além dos dados pessoais, serão registradas as suas impressões digitais das pessoas.

 

Apenas em 2009, segundo números divulgados pelas autoridades francesas, cerca de 10 mil romenos e búlgaros receberam as ajudas e retornaram a seus países.

 

O governo francês deve receber autoridades romenas para discutir a inserção social dos ciganos deportados no país. A medida é uma resposta às críticas do ministro de Relações Exteriores da Romênia, Teodor Baconschi, que disse estar 'inquieto' com as medidas.

 

A Bulgária e a Romênia são candidatas a entrarem na União Europeia e ainda não fazem parte da política de livre circulação do bloco.

 

Repercussão

 

A Comissão Europeia - órgão executivo da UE - afirmou nesta quarta-feira que acompanha atentamente a repatriação dos ciganos e pediu que o governo francês respeite as regras de proteção a cidadãos europeus.

 

" A França deve respeitar as regras sobre liberdade de circulação e de estabelecimento de cidadãos europeus", disse um porta-voz da comissão, segundo a AFP. " A CE tem defendido constantemente a necessidade de integração social dos ciganos nos países da UE".

 

Polêmica

 

Além das deportações, foram apresentadas outras iniciativas polêmicas, como a retirada da nacionalidade francesa de criminosos de origem estrangeira que tenham atentado contra uma autoridade pública ou a condenação dos pais de jovens que tenham cometido crimes.

 

São propostas que geraram uma onda de críticas, não só entre a sociedade civil ou os partidos de esquerda, que falam de racismo" e xenofobia, mas também entre a maioria de direita e, cada vez mais, no exterior.

Com informações da Efe

Tudo o que sabemos sobre:
ciganosBulgáriaRomêniaFrançaUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.