Sarkozy critica China por moeda fraca e direitos humanos

Durante encontro, presidente francês pede que Pequim faça "mais pela liberdade de imprensa"

TIM HE, REUTERS

26 de novembro de 2007 | 10h58

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, levou sua tradicional franqueza nesta segunda-feira, 26, à China, onde pediu publicamente ao colega Hu Jintao que permita a valorização do iuan e melhore a situação dos direitos humanos. Impassível, Hu ouviu às críticas de Sarkozy, depois de ambos participarem da assinatura de contratos empresariais de US$ 30 bilhões. O presidente francês também reservou elogios à China, mas disse que o país precisa assumir responsabilidades cada vez maiores, especialmente nas questões ambientais e no sistema mundial de câmbio. Ele não tocou no assunto do Tibet, mas disse que o país precisa fazer mais pela liberdade de imprensa. "Precisamos chegar a taxas cambiais que sejam harmoniosas e justas", disse Sarkozy, com a franqueza que se tornou sua característica desde sua eleição, em maio. "Isso significa que, também para o seu próprio bem, a China precisa acelerar a apreciação do iuan contra o euro", disse Sarkozy a jornalistas numa aparição ao lado de Hu no Grande Salão do Povo, em frente à praça da Paz Celestial. A União Européia, que neste ano tomou o lugar dos EUA como maior parceira comercial da China, pressiona Pequim a permitir uma valorização do iuan. A moeda desvalorizada barateia as exportações chinesas e dificulta o acesso de outros países ao gigantesco mercado local. A UE também se alinhou a Washington nos apelos para que a China combata a pirataria e reduza suas barreiras comerciais. O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, irritou a China com um alerta de que sua reputação estaria ameaçada devido aos recentes problemas envolvendo diversos produtos chineses no mundo. A vice-primeira-ministra Wu Yi, considerada a "Dama de Ferro" chinesa, ficou irritada com as declarações feitas por Mandelson numa conferência em Pequim. "Estou extremamente insatisfeita", disse ela, rispidamente, a jornalistas.

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