Sarkozy defende gasto militar com tecnologia e espionagem

Mais de 300 carros são incendiados na noite de segunda para esta terça, feriado da Queda da Bastilha

14 de julho de 2009 | 08h38

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu nesta terça-feira, 14, que os gastos militares de seu país concentrem-se em armas de alta tecnologia e nos serviços de espionagem. Os comentários do líder francês foram feitos durante a revista das tropas realizada anualmente como parte das celebrações do Dia da Bastilha. Jovens franceses colocaram fogo em 317 carros e feriram 13 policiais durante a noite de segunda para terça-feira, às vésperas do feriado, segundo a polícia francesa.

 

 

Foto: AP

 

A cerimônia deste ano tem os líderes da Índia e da Alemanha como convidados de honra do presidente. A França celebra o aprofundamento das relações com a Índia e o deslocamento de soldados alemães em solo francês como parte do retorno de Paris à estrutura de comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Uma multidão aplaudia enquanto soldados indianos e alemães marchavam ao lado de algumas das mais modernas unidades militares francesas nos Campos Elísios e aviões de combate sobrevoavam Paris. Sarkozy e sua esposa, Carla Bruni, cumprimentaram crianças feridas em guerras no exterior e levadas à França para tratamento.

 

Foto: AP

 

Protestos

 

Segundo a BBC, a direção da polícia francesa informou que pelo menos 317 carros foram queimados em periferias do país na madrugada desta terça-feira, data das festividades nacionais que celebram a queda da Bastilha. Esse número, segundo um balanço ainda provisório, já representa um aumento de 6,7% em relação ao ano passado. O número de pessoas presas, 240, dobrou na comparação com o mesmo período. O ministro do Interior, Brice Hortefeux, anunciou que irá reforçar a segurança no país nesta terça-feira, com um esquema policial de 40 mil homens.

 

Os transportes públicos, sobretudo os que ligam as periferias de Paris à capital também serão mais vigiados, disse o ministro. Hortefeux também proibiu a venda de certos tipos de fogos de artifício, que podem ser utilizados contra os policiais. Nesta madrugada, 13 policiais ficaram feridos nos protestos. A maioria sofreu problemas auditivos causados por explosões de fogos de artifício atirados contra eles.

 

Tradicionalmente inúmeros veículos são incendiados em subúrbios pobres da França durante as festividades de 14 de julho como sinal de protesto contra a situação social dos moradores dessas áreas, onde vivem principalmente pessoas de origem imigrante e os índices de desemprego podem atingir 40%. Mas neste ano, em razão da crise econômica, o sentimento de insatisfação contra o governo tende a ser ainda maior. Além disso, nos últimos dias, confrontos entre jovens e a polícia vêm ocorrendo em cidades da periferia.

 

Como em situações anteriores, os distúrbios dos últimos dias foram causados por moradores que acusam os policiais de uso da violência em operações nessas áreas. Em Montreuil, ao norte de Paris, cerca de 300 pessoas protestaram nesta madrugada contra a expulsão de pessoas que ocupavam ilegalmente um prédio abandonado. Um homem afirma ter perdido um olho nessa operação devido a uma bala de borracha disparada por um policial. Os manifestantes em Montreuil atiraram fogos de artifício contra os policiais, que responderam aos ataques com bombas de gás lacrimogênio.

 

Apesar dos incidentes e do maior número de carros queimados, a direção da polícia francesa informa que, globalmente, a noite de véspera do feriado nacional "foi calma, sem maiores incidentes". No entanto, a polícia afirma que houve muitas agressões "com artefatos pirotécnicos" contra os oficiais. A polícia ainda está contabilizando o número de carros queimados nesta madrugada. O balanço final deve ser divulgado no final da tarde desta terça.

 

O ministro do Interior convocou uma reunião na quarta-feira com os secretários de Segurança Pública do país para pedir uma mobilização contra a delinquência na França, "que parou de registrar queda" no primeiro semestre deste ano.

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