Sarkozy descarta negociar novo tratado para crise da UE

Presidente francês afirma que bloco permanecerá com o acordo atual caso não aprove Tratado de Lisboa

Efe,

10 de julho de 2008 | 11h18

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse nesta quinta-feira, 10, que a União Européia (UE) não negociará um novo tratado para resolver a crise institucional provocada pelo "não" em plebiscito na República da Irlanda ao Tratado de Lisboa.   Veja também: Entenda o referendo e o Tratado de Lisboa    Sarkozy voltou a advertir que a União Européia não deve cometer "o mesmo erro" de 2004, quando decidiu a ampliação aos países da Europa Central e do Leste sem antes definir a reforma das instituições comuns. "Não haverá novo tratado, ou é Lisboa ou é Nice", disse o Sarkozy, cujo país ostenta a Presidência rotativa da UE, em discurso ao Parlamento Europeu. "Que fique claro: se temos que ficar no (Tratado de) Nice, Nice significa a Europa de 27 (países). Se queremos, e eu quero, a ampliação, precisamos de novas instituições antes de nos ampliar", disse aos deputados europeus.   Sarkozy confirmou que em 21 de julho irá a Dublin, em sua primeira viagem ao exterior como presidente rotativo do Conselho Europeu, "para ouvir, dialogar e tentar encontrar uma solução" para o "não" irlandês. Ele afirmou ainda que o propósito da Presidência francesa da UE é "propor um método e, espero, uma solução, de comum acordo com o governo irlandês, em outubro ou em dezembro".   "Ninguém disse que o Tratado de Lisboa resolvia todos os problemas", argumentou Sarkozy, "mas foi e continua sendo a expressão de um compromisso aceitável para todos".   Sarkozy reiterou ainda o pedido para que o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, "cumpra sua palavra e aprove o Tratado de Lisboa", após a mudança de postura do dirigente polonês. Kaczynski aproveitou o 'não' da Irlanda para afirmam que não ratificaria a proposta, pois a assinatura não teria "sentido".   "Não é uma questão política, mas uma questão de moral", enfatizou Sarkozy segundo o El Pais, que também adiantou que em outubro pretende apresentar ao governo irlandês uma solução para superar a "difícil e complicada situação" que o rechaço irlandês colocou a União Européia.   Carla Bruni   Nicolas Sarkozy aproveitou o lançamento do mais recente disco de sua mulher, Carla Bruni, para brincar com o presidente do grupo liberal, Graham Watson, em seu discurso no Parlamento Europeu. "Dê-me ainda 60 pequenos segundos para meu último minuto", pediu Watson, lembrando o texto de uma música de Carla para prolongar seu discurso.   Em meio aos risos dos deputados, o líder dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, que devia discursar em seguida, protestava dizendo que Watson lhe "roubou a brincadeira". A resposta de Sarkozy, que manteve um tom relaxado durante a maior parte do debate chegou alguns minutos depois, em sua vez de falar.   "Temos os mesmos gostos musicais", disse Sarkozy a Watson, a quem também prometeu uma cópia autografada do mais recente disco de Carla Bruni, intitulado Comme si de rien n'était (Como se nada).   A cantora, que defendeu recentemente sua vontade de dividir sua carreira de artista com suas obrigações como primeira-dama da França, anunciou, no entanto, que não pretende fazer uma viagem de promoção do disco. Carla decidiu destinar o lucro em direitos autorais pelas vendas do disco à Fondation de France, de objetivos filantrópicos, sanitários e culturais.

Tudo o que sabemos sobre:
Tratado de LisboaFrança

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.