Sarkozy diz confiar em árabes com energia nuclear

Presidente afirma que Ocidente deveria crer no uso pacífico da tecnologia atômica por nações islâmicas

Emmanuel Jarry, REUTERS

26 Julho 2007 | 10h44

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, firmou um acordo de cooperação nuclear com a Líbia e disse que o Ocidente deveria confiar no uso pacífico dessa tecnologia por parte dos países árabes, sob o risco de provocar uma guerra de civilizações. Veja também:Sarkozy chega a Dacar em sua 1ª visita à África SubsaarianaPresidente francês adere à 'realpolitik' que tanto criticavaA França decidiu na última quarta-feira, 25, ajudar a Líbia a desenvolver um reator nuclear que permitirá a dessalinização da água do mar, tornando-a potável. O reator pode ser fornecido pela empresa francesa de energia nuclear Areva.Sarkozy disse a jornalistas na Líbia que considerar que o mundo árabe "não é sensível o bastante para usar a energia nuclear civil" poderia, em longo prazo, provocar "uma guerra de civilizações"."A energia nuclear é a energia do futuro", disse ele. "Se não dermos a energia do futuro aos países do sul do Mediterrâneo, como eles vão se desenvolver? E, se não se desenvolverem, como vamos combater o terrorismo e o fanatismo?"  Energia atômica  Muitos países do Oriente Médio, alguns deles preocupados com o programa nuclear do Irã, estão interessados em desenvolver a energia atômica.Claude Gueant, chefe de gabinete de Sarkozy, lembrou que a cooperação nuclear implica que "um país que respeita as regras internacionais pode obter energia nuclear civil".Sarkozy, que nesta quinta-feira viaja para o Senegal, evitou vincular o acordo nuclear à libertação, nesta semana, de seis profissionais de saúde que passaram oito anos presos e foram condenados na Líbia pela acusação de terem contaminado crianças com o vírus HIV.O presidente francês ajudou a mediar o acordo entre Trípoli e a União Européia para a libertação das enfermeiras búlgaras e de um médico palestino. O caso representa um dos últimos obstáculos nas relações entre a Líbia e o Ocidente. "A única ligação que se pode fazer é que, se as enfermeiras não fosse libertadas, eu não teria vindo", disse Sarkozy.  Nações nucleares  A Areva, maior fabricante mundial de reatores nucleares, atende a todo o ciclo nuclear, da mineração ao tratamento de dejetos. A Líbia anunciou em fevereiro uma parceira com a Areva na exploração e mineração de urânio.Em dezembro do ano passado, vários países do golfo Pérsico e a Arábia Saudita anunciaram um projeto nuclear conjunto para fins pacíficos, principalmente a dessalinização da água marinha.O Egito, que suspendeu seu programa nuclear depois do acidente na usina soviética de Chernobyl (1986), cogita retomá-lo para atender à sua demanda por energia e poupar as reservas de gás e petróleo.Líbia e França também firmaram na quarta-feira parcerias para os setores da indústria bélica, da pesquisa científica e da educação superior. "Estou tentando tranquilizar uma parte do mundo árabe", disse Sarkozy. "Há a Líbia, mas todos os outros Estados árabes estão olhando a forma como a Líbia será tratada depois da libertação das enfermeiras."As relações entre Paris e Trípoli se deterioraram depois de um ataque contra um avião francês em 1989. A França condenou seis líbios à revelia, mas Trípoli negou qualquer responsabilidade.O Ocidente suspendeu as sanções à Líbia depois de o país ter abandonado seus programas de armas de destruição em massa. Agora, as potências mundiais disputam espaço de olho em lucrativos contratos de infra-estrutura no país do norte da África, que é rico em petróleo.

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