Sarkozy diz que forças da França podem voltar a integrar a Otan

Presidente francês apresenta política de defesa que reduz efetivo militar e ressalta o combate ao terrorismo

Agências internacionais,

17 de junho de 2008 | 08h59

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu nesta terça-feira, 17, uma maior participação de Paris na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao afirmar que nada impede que a França volte a fazer parte das estruturas militares da aliança atlântica. O chefe do governo francês apresentou sua política de defesa, que prevê a redução do efetivo militar e prioriza estrategicamente os serviços de inteligência, principalmente contra o terrorismo.   Sarkozy fez os comentários durante um discurso no qual anunciou planos de tornar as forças armadas francesas mais modernas, maleáveis, inteligentes e capazes de enfrentar ameaças. Analistas afirmam que a França retomará a filiação plena à Otan em uma reunião de cúpula no ano que vem, mas Sarkozy não fez menção a isso em seu discurso.   Sarkozy jogou a responsabilidade para a Otan ao estabelecer condições para uma plena participação francesa. Entre as exigências, Paris reivindica o direito a ter liberdade de decidir se enviará soldados para uma determinada operação, declarou o líder francês. "A França é um aliado independente, um parceiro livre", declarou Sarkozy.   Segundo a agência France Presse, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, saudou a decisão de Sarkozy, ressaltando que depende de como e quando a França pretende reiniciar sua plena participação nas estruturas da Otan, disse o seu porta-voz.   O falecido presidente Charles de Gaulle retirou a França do comando militar da Otan em 1966 enquanto buscava reafirmar a independência do país nos difíceis anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. A decisão de De Gaulle afetou durante décadas as relações transatlânticas. Além de não fazer parte do comando militar da Otan, a França também não integra o grupo nuclear nem a comissão de planejamento da entidade.   Segundo a BBC, entre as propostas apresentadas está a redução de 54 mil cargos de militares e civis nas Forças Armadas, e cerca de 50 bases militares e outros prédios de defesa serão fechados. Paris também vai reordenar o Exército, Marinha e Aeronáutica - os maiores da União Européia -, de 271 mil para 224 mil   Sarkozy afirmou que o terrorismo é uma "ameaça imediata". "A ameaça está ai, é real, e sabemos que amanhã pode tomar nova forma, ainda mais grave, com médios radiológicos, químicos e biológicos", advertiu. Diante disso, o presidente anunciou o "esforço massivo" dos serviços de inteligência, função considerada agora como estratégica e integrada aos quatro pilares da defesa (dissuasão, proteção, prevenção e intervenção).

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