Sarkozy e Hollande divergem sobre austeridade

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e seu rival socialista François Hollande deixaram claras suas diferenças a respeito de políticas de austeridade e Europa, num momento em que as pesquisas indicam um acirramento na campanha para a eleição presidencial de abril.

PAUL TAYLOR E DANIEL FLYNN, REUTERS

16 de março de 2012 | 19h03

Vendo sua vantagem sobre Sarkozy cair na última semana, Hollande deu uma nova cartada ao propor a renegociação de um tratado europeu que prevê uma rígida disciplina fiscal - proposta que teve o apoio dos líderes da oposição na Espanha e Alemanha. O tratado foi implementado por orientação de Berlim, para tentar estancar a crise que assola a zona do euro.

"A Alemanha não deve decidir sozinha a direção da Europa", disse o socialista na noite de quinta-feira à TV France-2. "Temos de devolver o crescimento à Europa, e devemos adaptar nossas metas de redução de déficit de forma compatível."

Sarkozy tem insistido que a França não pode reabrir o tratado assinado por 25 dos 27 países da União Europeia, mas Hollande disse que pretende "alterar a direção do continente" acrescentando emendas pró-crescimento.

Aliados de Sarkozy acusaram Hollande de agir de forma demagógica, estimulando a França a abandonar a responsabilidade fiscal. Evocando o famoso libelo "J'Accuse", escrito no século 19 por Émile Zola, o primeiro-ministro François Fillon escreveu no jornal Le Fígaro: "Eu acuso o candidato socialista de ter deliberadamente escolhido abrir mão da redução do déficit. Eu o acuso de não querer reduzir os gastos do Estado por medo de chatear as pessoas. Eu o acuso de abrir mão de respeitar os compromissos europeus da França".

Hollande insiste que pretende manter a atual meta do governo de reduzir o déficit a 3 por cento do PIB até 2013, mas que levaria um ano a mais do que Sarkozy para alcançar um equilíbrio orçamentário -sua meta é 2017.

A entidade de políticas públicas Institut Montane disse em uma auditoria que Hollande superestimou em 15 por cento a futura arrecadação fiscal. Sarkozy ainda não divulgou um programa completo, por isso suas propostas não podem ser auditadas, disse o instituto.

O presidente conservador teve uma pequena vitória na sexta-feira, quando terminou o prazo para a inscrição de candidatos para o primeiro turno. O ex-premiê Dominique de Villepin, que aparecia com menos de 1 por cento das intenções de voto, não conseguiu registrar sua candidatura por não ter apresentado as assinaturas de apoio de 500 ocupantes de cargos eletivos.

Pesquisa do instituto Opinionway publicada na sexta-feira pelo Le Figaro confirmou a recente recuperação de Sarkozy, que aparece empatado com Hollande na simulação do primeiro turno, com 27,5 por cento. A ultradireitista Marine le Pen está em terceiro, com 16 por cento, e o centrista François Bayrou vem em quarto, com 13.

Para o segundo turno, em maio, Hollande mantém ampla vantagem.

(Reportagem adicional de Vicky Buffery, Emmanuel Jarry e Elizabeth Pineau)

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