Sarkozy e líder da UE discutem por causa de ciganos

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, teve na quinta-feira uma acalorada discussão com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, por causa da expulsão de ciganos da França, assunto que dominou a cúpula da UE na Bélgica.

JUSTYNA PAWLAK E LUKE BAKER, REUTERS

16 de setembro de 2010 | 17h45

A discussão aconteceu durante o almoço, segundo diplomatas. Numa entrevista coletiva posterior, Sarkozy criticou a forma como a Comissão Europeia tem lidado com a questão, depois da expulsão de 8.000 membros da etnia roma (ciganos) que estavam em acampamentos ilegais na França.

Sarkozy se disse especialmente indignado com a comissária (ministra) europeia de Justiça, Viviane Reding, que nesta semana comparou a atitude da França a perseguições étnicas da Segunda Guerra Mundial.

"Todos os chefes de Estado e governo ficaram chocados pelas opiniões extremas da vice-presidente da Comissão", disse ele, descrevendo a discussão do almoço, e acrescentando que Barroso se distanciou das "distorções históricas" de Reding.

Apesar do incidente, Sarkozy disse considerar o assunto encerrado, e a UE também pareceu decidida a deixá-lo para trás. Mas o caso deve continuar, porque a Comissão disse que pretende tomar nas próximas semanas medidas judiciais contra supostas violações da França às regras de livre circulação de cidadãos no bloco.

Sarkozy diz que a expulsão dos ciganos é parte da sua campanha de combate à criminalidade. Em geral, as famílias da etnia roma recebem ofertas financeiras para voltarem à Romênia e Bulgária.

As tensões entre a Comissão Europeia e a França, um dos Estados mais influentes da UE, pode ter consequências para discussões em outras áreas.

Grupos de direitos humanos, a Igreja Católica e até alguns ministros franceses criticaram a expulsão dos ciganos, acusando Sarkozy de usar o tema para tentar melhorar sua popularidade num momento de gastos orçamentários.

Pela lei europeia, os ciganos têm liberdade para se estabelecerem por até três meses em qualquer lugar do bloco. Depois disso, precisam encontrar trabalhou ou contribuir com a previdência social. Muitos não fazem isso e costumam ser marginalizados. A migração de ciganos para a Europa Ocidental tem aumentado nos últimos anos, mas a Romênia ainda concentra a maior comunidade.

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