Sarkozy enfrenta divórcio e onda de greves na França

Palácio do Eliseu confirma separação de Nicolas e Cecília no mesmo dia em que país passa por greve geral

Efe Reuters,

18 de outubro de 2007 | 10h40

O Palácio do Eliseu anunciou nesta quinta-feira, 18, que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e sua mulher Cecília estão se separando após onze anos de casamento. O anúncio acontece em um dia delicado para o mandatário, que enfrenta a primeira greve geral desde que assumiu o cargo, em maio. Veja também: França enfrenta greve geral A confirmação do divórcio põe fim a semanas de especulação sobre o casamento de Sarkozy e acontece após reportagens da imprensa afirmarem que o casal encontrou-se secretamente com um juiz na segunda-feira, 15, para dar entrada nos papéis do divórcio. Cecilia e Nicolas Sarkozy "anunciam sua separação por consentimento mútuo. Eles não farão nenhum comentário", afirmou o Palácio do Eliseu em breve comunicado. No front político, uma greve nacional dos trabalhadores do transporte publico francês causou um grande impacto nos serviços de ônibus, metrô e trem de pelo menos 27 cidades do país.  As centrais sindicais convocaram a paralisação em protesto contra a intenção do governo de reformar o modelo de acesso à aposentadoria de várias categorias trabalhistas. A medida afeta os 1,6 milhões de empregados de empresas de transporte, energia e secretários de cartórios. Embora tenha admitido que a greve provocará uma forte alteração dos serviços de transporte, o governo francês afirma que manterá sua decisão de modificar o regime especial de algumas profissões, que para obter a aposentadoria deverão trabalhar 40 anos, e não mais 37,5 como é agora. Um dos argumentos do Eliseu é que os trabalhadores do setor privado não desfrutam das mesmas regras dos setores que serão afetados pela medida. Crise em 'casa' No entanto, não é a crise nos transportes a que mais prende a atenção dos franceses. O principal assuntos nos jornais, sites e redes de rádio e TV de todo o país nesta quinta-feira é mesmo a separação de Nicolas e Cecília Sarkozy. Isso porque esta é a primeira vez na história moderna da França que um presidente em exercício separa-se de sua mulher. Por isso, a reação de Sarkozy ao fim de seu casamento deve ser acompanhada atentamente pela opinião pública. Cecilia desempenhou um papel central ascensão de Sarkozy na política francesa, servindo como conselheira nas passagens anteriores de Sarkozy pelos Ministérios do Interior e das Finanças. O próprio presidente exaltou a relação dos dois, afirmando a assessores que a mulher era "a única parte não-negociável" de sua carreira. Nos meios de comunicação, tornaram-se comuns as comparações do primeiro casal francês com o glamouroso par norte-americano formado por John e Jackie Kennedy. Mas, por detrás das aparências reluzentes, parecia óbvio que o casamento deles aproximava-se do fim. Cecilia não desempenhou nenhum papel de destaque durante a campanha presidencial do marido neste ano, não votou no segundo turno e apareceu em público ao lado dele apenas brevemente, em três compromissos desde a vitória de maio - a última vez, em julho. Primeira crise Sarkozy, 52, e Cecília, uma ex-modelo de 49 anos, casaram-se em 1996 e têm um filho de 10 anos. O relacionamento dos dois enfrentou a primeira crise declarada em 2005, quando ambos tiverem casos extraconjugais e viveram separados durante um curto período de tempo. Sarkozy ficou visivelmente abalado com o episódio, tendo perdido peso e dando sinais de irritabilidade. Como conseqüência, surgiram dúvidas, à época, sobre a capacidade dele de governar sob situações emocionalmente estressantes. No entanto, o casal fez as pazes no começo de 2006, de forma bastante pública, e Sarkozy, dando sinais de grande felicidade, escreveu que esperava continuar para sempre ao lado da mulher.

Tudo o que sabemos sobre:
Nicolas SarkozyFrança

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.