Sarkozy: Estado palestino é essencial para segurança de Israel

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegou hoje a Israel em sua primeira visita oficial ao país

Daniela Birk, EFE

22 de junho de 2008 | 17h20

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegou hoje a Israel em sua primeira visita oficial a este país, onde foi recebido em grande estilo e disse que a criação de um Estado palestino é essencial para a segurança do Estado judeu. "Se estou aqui, é porque estou mais convencido do que nunca de que a segurança de Israel não estará garantida enquanto não existir um Estado palestino", afirmou o chefe de Estado francês em um breve discurso pouco após chegar à Tel Aviv.   A visita à região, de três dias de duração, está relacionada aos 60 anos da criação do Estado de Israel, embora, durante a viagem de Sarkozy, também esteja programada uma visita à cidade cisjordaniana de Belém, onde ele vai se encontrar com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Sarkozy, acompanhado de sua mulher, Carla Bruni, foi recebido no aeroporto pelo presidente israelense, Shimon Peres, e pelo primeiro-ministro Ehud Olmert.   "A contribuição da França para a criação do Estado de Israel não surgiu de um sentimento oportunista, mas foi gerada pelos valores humanos mais nobres", afirmou Peres. Sarkozy disse que a relação entre os dois Estados vive um "momento excepcional" e confessou: "Sempre fui e serei um amigo de Israel". A agenda do presidente francês em Israel inclui encontros com os principais líderes políticos, assim como um histórico discurso na segunda-feira perante o Parlamento (Knesset) e uma reunião com os pais do soldado israelense Gilad Shalit, capturado há dois anos por três milícias palestinas de Gaza e que tem nacionalidade francesa. A visita de Sarkozy é a terceira de um presidente francês ao Estado de Israel desde sua criação, em 1948, e responde à política do chefe de Estado francês para uma maior aproximação com Israel e o Mediterrâneo.   Nos primeiros anos de existência de Israel, a França foi seu principal aliado e sua ajuda ao Estado judeu foi vital para a construção de seu poderoso Exército. Israel conquistou sua supremacia aérea no final dos anos 50, graças à cooperação francesa, que também foi fundamental na construção da usina nuclear de Dimona. Os dois projetos foram preparados pelo atual presidente Peres quando era diretor-geral do Ministério da Defesa.Desde 1967, as relações entre os dois países foram cordiais, mas freqüentemente tensas, especialmente após a explosão da segunda Intifada, em 2000.   A chegada de Sarkozy ao poder deu uma nova guinada nos vínculos bilaterais, e o atual dirigente francês é considerado o presidente mais "pró-israelense" das últimas décadas. Olmert definiu seu convidado como "um verdadeiro amigo de Israel" e descreve os laços bilaterais atuais como "não só uma lua-de-mel, mas uma verdadeira história de amor". O presidente francês viaja à região acompanhado de sete ministros e cem empresários, e a presença de Carla despertou grande expectativa. Nesta tarde, Sarkozy foi recebido com uma cerimônia de boas-vindas na residência do Presidente israelense em Jerusalém. Depois, seria convidado de honra de Olmert em um jantar com as respectivas esposas de ambos, Carla e Aliza.   Amanhã, o chefe de Estado da França visitará o Museu do Holocausto de Jerusalém com o presidente israelense. Os projetos nucleares do Irã e a aproximação de Paris com Damasco são alguns dos temas que serão abordados pelo presidente francês com os líderes israelenses, segundo fontes diplomáticas.   A visita acontece em um momento de aproximação do Palácio do Eliseu com Damasco e de negociações políticas entre Israel e Síria intermediadas pela Turquia. A ida de Sarkozy a Israel país adquire relevância especial ao ocorrer uma semana antes de a França assumir a Presidência rotativa da União Européia, atualmente ocupada pela Eslovênia. "Vim para oferecer meu apoio, em nome da França e da União Européia, nas negociações" com os palestinos, declarou Sarkozy, segundo quem israelenses e palestinos podem conseguir um acordo "que permitirá aos dois povos viver junto com o outro em paz e segurança".

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