Sarkozy impõe condições para ir à festa dos Jogos de Pequim

Presidente francês pede fim da violência contra tibetanos, libertação de prisioneiros e diálogo com o dalai lama

05 de abril de 2008 | 10h33

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, só assistirá à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, sob três condições "indispensáveis", disse neste sábado, 5, a secretária de Estado de Direitos Humanos francesa, Rama Yade.  Veja também: China condena dissidente chinês e UE pede sua libertação  Entenda os protestos no Tibete  Em declarações ao jornal Le Monde, Yade enumerou as reivindicações do chefe de Estado: o "fim da violência contra a população e a libertação dos prisioneiros políticos, o fim da censura sobre os eventos tibetanos e a abertura do diálogo com o dalai lama". Ao responder à pergunta sobre se a intenção de Sarkozy era a de boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos, a secretária apenas respondeu que o presidente tomará sua decisão "em função da evolução dos eventos". Segundo Yade, Sarkozy se expressará "após consultar" seus parceiros europeus, já que no segundo semestre "falará como presidente em exercício da União Européia" (UE). Em vários comentários públicos, Sarkozy deu a entender que não excluía a possibilidade de boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim e que tomará sua decisão em função da situação no Tibete, onde o Governo chinês reprimiu violentamente as manifestações do mês passado. Os países da União Européia estão divididos sobre a possibilidade de um boicote à cerimônia. "Pedimos que a China trave um diálogo realmente construtivo com o dalai lama", explicou Yade, complementando que as conversas devem focar o "reconhecimento da autonomia tibetana e da identidade espiritual, religiosa e cultural dos tibetanos". Até o momento, a China conduziu uma "política de assimilação colonizando as zonas tibetanas, o que tem marginalizado a população", denunciou a secretária de Estado, lembrando que só em 2007 houve "132 monges detidos por motivos políticos".  Yade exige a libertação "imediata" de Hu Jia, o ativista chinês condenado esta semana a três anos e meio de prisão, sentença considerada "uma verdadeira decepção" para a secretária francesa.  Quanto aos Jogos Olímpicos, Yade pede à China para que respeite seus compromissos e lembra que, ao apresentarem a candidatura de Pequim, as autoridades chinesas afirmaram que isso contribuiria para a promoção dos direitos humanos no país.  "Os Jogos não são só uma consagração econômica. Sem os direitos humanos, a China nunca será uma verdadeira grande potência", disse a secretária.

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