Sarkozy mantém silêncio sobre caso Strauss-Kahn

O presidente francês Nicolas Sarkozy vem conservando silêncio cuidadosamente calculado no momento em que as acusações de agressão sexual feitas ao ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn abalam a França, desencadeando uma semana de manifestações de pesar e recriminação.

CATHERINE BREMER, REUTERS

20 de maio de 2011 | 13h20

Enquanto os socialistas lamentaram a queda relâmpago do favorito inconteste para vencer a eleição presidencial francesa de 2012, ao mesmo tempo em que Marine le Pen, líder da Frente Nacional, afirmou que o caso de Strauss-Kahn é um acidente que apenas aguardava a hora de acontecer, Sarkozy vem mantendo uma postura digna, guardando silêncio e conservando um perfil discreto.

Ele também instruiu seus ministros a guardar silêncio sobre as acusações feitas por uma camareira de hotel em Nova York, segundo a qual Strauss-Kahn tentou estuprá-la.

A saída de seu rival mais forte na eleição do próximo ano não significa que Sarkozy, um dos presidentes franceses menos populares, tenha sua reeleição garantida, mas ela já levou a um aumento de alguns pontos percentuais para ele nas pesquisas de opinião.

Isso poderá ser o suficiente para ajudar o conservador a vencer Le Pen em um segundo turno, algo que estava muito longe de certo algumas semanas atrás. Resistir à tentação de opinar sobre o caso também poderá beneficiar Sarkozy, se ajudar a reverter a percepção de que ele é impulsivo e age impensadamente.

"Isto pode corrigir um pouco sua imagem e criar a impressão de que ele não é tão reativo assim, no fim das contas", disse o analista Jean-Daniel Levy, do instituto de pesquisas Harris Interactive, aludindo ao fato de Sarkozy não estar demonstrando alegria com a derrocada de seu rival.

Sarkozy também tem se negado a confirmar se a primeira-dama Carla Bruni está grávida do primeiro filho do casal, mesmo depois de seu pai ter confirmado a notícia, algo também indicado pelo fato de Bruni rir enquanto esconde sua barriga.

O nascimento de um filho pode representar uma vantagem de relações públicas para sua campanha eleitoral, especialmente em vista do contraste com as acusações feitas a Strauss-Kahn, mas não se houver a impressão de que Sarkozy fizer uso da novidade antes da eleição de abril próximo.

"Seu silêncio faz sentido político e acho que reverterá em seu favor", disse o analista Emmanuel Rivière, do instituto de pesquisas TNS Sofres. Rivière disse que não seria conveniente Sarkozy comentar o assunto até que os argumentos legais contra Strauss-Kahn, que nega as acusações que lhe foram feitas, fiquem mais claros.

Há a previsão de Strauss-Kahn estava deixar a prisão na sexta-feira, depois de pagar fiança, e ser colocado sob prisão domiciliar, após uma decisão do tribunal que foi aplaudida pelos socialistas na França.

Algumas pesquisas de opinião feitas desde a prisão de Strauss-Kahn, no fim de semana passado, indicam que a oposição de esquerda ainda lidera as intenções de voto na eleição de 2012, sendo o ex-líder do Partido Socialista François Hollande apontado por maioria avassaladora como o novo favorito socialista.

As pesquisas apontam um ganho de um a dois pontos percentuais para Sarkozy no primeiro turno, o suficiente para ele passar à frente de Le Pen e fazer do segundo turno uma disputa entre a esquerda e a direita.

Tudo o que sabemos sobre:
FRANCASARKOZYSTRAUSSKAHN*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.