Sarkozy parabeniza Putin e contraria críticas européias

A atitude do presidente da França,Nicolas Sarkozy, de telefonar para o russo Vladimir Putin eparabenizá-lo pela vitória de seu partido nas eleiçõesparlamentares de domingo deixou a União Européia surpresa, jáque crescia a pressão para que a Rússia investigasse asdenúncias de irregularidades no pleito. A Alemanha, aliada da França, havia chamado a eleição russade "nem livre, nem justa, nem democrática", pelos padrõesocidentais, e a maioria dos governos europeus tinha manifestadopreocupação com a lisura do processo eleitoral. A iniciativa de Sarkozy pareceu contrariar seu próprioMinistério das Relações Exteriores, que havia criticado aseleições. A notícia do telefonema foi dada pelo porta-voz deSarkozy, David Martinon, na noite de segunda-feira, durante umavisita oficial à Argélia. Diplomatas disseram que a Presidência da UE, que está comPortugal, queria fechar um acordo entre os 27 países-membrospor uma declaração conjunta sobre o assunto, mas que estavadifícil chegar a um consenso. Um outro diplomata disse que a proposta de declaração quecirculou na segunda-feira criticava o tratamento dado pelaRússia ao escritório de monitoramento eleitoral da Organizaçãopara a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e pedia àsautoridades russas que permitissem a entrada dos monitores daOSCE para fazer um trabalho de campo já nos preparativos paraas eleições presidenciais de março. A desavença européia em relação às eleições russasevidencia a dificuldade do bloco em falar em uníssono à Rússia,sua principal fornecedora de energia. Desde que assumiu a Presidência, em maio, Sarkozy adotou umtom mais crítico em relação à Rússia se comparado ao de seuantecessor, Jacques Chirac, que mantinha um relacionamentoespecial com Putin, em parte para contrabalançar o poder dosEstados Unidos. Políticos da oposição acusaram Sarkozy de colocarinteresses econômicos acima dos direitos -- em sua viagem àChina, o presidente não levou seu ministro para os direitoshumanos. (Reportagem adicional de François Murphy, Kerstin Gehmlichem Paris e Axel Bugge em Lisboa)

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