Arquivo/AP
Arquivo/AP

Sarkozy pode enfrentar inquéritos quando imunidade expirar

Três escândalos financeiros rodeiam o presidente, um deles envolvendo mulher mais rica da França

THIERRY LÉVÊQUE E ALEXANDRIA SAGE, REUTERS

10 Maio 2012 | 12h31

PARIS - O presidente francês de saída, Nicolas Sarkozy, que gozou de imunidade legal nos últimos cinco anos, poderá em breve ser forçado a explicar-se a magistrados em três escândalos financeiros distintos que o perseguiram durante seu tempo no poder.

Veja também:

link Ex-premiê líbio confirma que Kadafi financiou campanha de Sarkozy

A Constituição da França diz que um presidente não pode ser obrigado a testemunhar ou ser investigado ou processado até um mês após deixar o cargo, um privilégio que terminará em meados de junho para Sarkozy, que entrega o poder em 15 de maio para o socialista François Hollande.

Assim, ficará aberto o caminho para Sarkozy ser convocado para interrogatórios por investigadores judiciais que investigam assuntos obscuros, incluindo a venda de submarinos na década de 1990 para o Paquistão e as relações entre Sarkozy, seu partido e a mulher mais rica da França.

"Está escrito, preto no branco, que o processo inicia-se ao final do prazo de um mês após o final das suas funções", disse Matthieu Bonduelle, presidente do sindicato dos magistrados da França.

Sarkozy negou envolvimento em qualquer dos casos, que já desencadearam investigações judiciais e envolveram alguns de seus amigos ricos.

As denúncias de escândalo também atrapalharam a campanha de Sarkozy para a corrida presidencial de 2012, que ele perdeu no último domingo para Hollande.

Um dos escândalos envolve Liliane Bettencourt, herdeira bilionária do império de cosméticos L'Oreal. Os investigadores querem saber se dinheiro de suas contas em bancos suíços foi usado para financiar ilicitamente a campanha presidencial de Sarkozy de 2007.

O ex-gestor da fortuna de Bettencourt, Patrice de Maistre, está sob custódia e deve ser interrogado por um juiz nesta quinta-feira sobre os saques em dinheiro de ao menos 800.000 euros nos meses anteriores à vitória de Sarkozy.

De Maistre, provavelmente, também será perguntado sobre os laços com o tesoureiro do partido UMP --da qual Sarkozy fazia parte na época--, o ex-ministro do Trabalho Eric Woerth. Assim como De Maistre, ele também está formalmente sob investigação.

Em outro caso, o chamado "Caso Karachi", os juízes estão tentando desvendar uma série de negociações nebulosas por intermediários e possíveis propinas ligadas à venda de submarinos pelo governo francês para o Paquistão na década de 1990.

Sarkozy, que era ministro do Orçamento e porta-voz do candidato presidencial Edouard Balladur na época, irritadamente rejeitou as especulações da imprensa de que ele poderia ter conhecimento dos pagamentos. Os juízes querem saber se eles foram utilizados na campanha de Balladur.

"Eu não posso dizer se, em cada um desses casos, há elementos suficientes para colocar Sarkozy sob investigação", disse Bonduelle, que não está envolvido com nenhum deles.

"Estes são casos enormes e só sabemos algumas partes de informação que estão na imprensa", acrescentou.

A mais recente dor de cabeça para Sarkozy foi a publicação no mês passado pelo site investigativo de notícias Mediapart de um documento que, segundo eles, mostra que o líder líbio deposto Muammar Gaddafi quis financiar a campanha de Sarkozy em 2007.

Sarkozy processou o Mediapart, chamando o documento de "obviamente falso".

Mais conteúdo sobre:
FRANCASARKOZYIMUNIDADE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.