Sarkozy promete acelerar reformas e reprimir distúrbios

Presidente francês enfrenta protestos e mais ameaças de greve de estudantes e do Judiciário

ANNA WILLARD, REUTERS

29 de novembro de 2007 | 10h56

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, prometeu na quinta-feira, 29, acelerar as reformas e reprimir com dureza os distúrbios nas periferias das grandes cidades. Eleito em maio, o governo enfrenta uma série de protestos nas últimas semanas. Juízes e funcionários de tribunais entraram em greve na quinta-feira, seguindo o exemplo de funcionários dos transportes e empresas elétricas, funcionários públicos e estudantes. As greves, os protestos, os distúrbios e a elevação do custo de vida ajudaram a fazer com que a confiança da opinião pública caísse a seu menor nível em mais de um ano. Sarkozy disse que a França não vai resolver seus problemas se evitar as reformas. "Fiz essas reformas rapidamente porque era urgente. Algumas pessoas criticam sua rapidez. Na verdade, eu gostaria de ir bem mais rápido, a fim de reforçar o crescimento assim que possível", disse o presidente em discurso a policiais. "Sei perfeitamente bem que essas reformas não virão sem esforço e tensão", acrescentou. O Judiciário entrou em greve contra a proposta de fechar quase 200 tribunais, como forma de simplificar o sistema e cortar gastos.  Algumas entidades estudantis também convocaram protestos na quinta-feira contra uma lei que dá mais autonomia às universidades. A Unef, principal entidade estudantil, disse que o número de campi bloqueados no país caiu de 49 na terça-feira para 27 na quinta. Já os trabalhadores do setor energético marcaram mais uma paralisação de um dia para 6 de dezembro. Em outubro e novembro, a categoria já havia feito greve, junto com os servidores dos transportes, contra o fim do chamado "regime especial" da previdência para algumas categorias do funcionalismo público. "Estamos em tempos desafiadores. Tudo se acumula, tudo se intensifica", disse editorial do jornal conservador Le Figaro. "Nicolas Sarkozy está fazendo um jogo de altas apostas, porque todas essas bombas-relógio da sociedade francesa estão explodindo na sua cara. Os subúrbios, as aposentadorias, os estudantes, a qualidade de vida. E, de forma mais geral, a atitude de um país diante do seu futuro." No discurso de Sarkozy aos policiais, ele prometeu reprimir a "banditocracia" que seria responsável pelos distúrbios desta semana envolvendo jovens na periferia de Paris.

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