Sarkozy promete reformas apesar de derrota em eleições locais

Presidente francês diz que vai considerar "mensagem" da votação; partido é derrotado no segundo turco

JAMES MACKENZIE, REUTERS

17 de março de 2008 | 09h34

Os eleitores franceses enviaram um alerta ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, passarem para a esquerda o controle de importantes cidades do país. Nesta segunda-feira, 17, um dia depois da derrota nas eleições municipais realizadas na França, Sarkozy prometeu retomar imediatamente as reformas planejadas por seu governo. Sarkozy "levará em conta a mensagem enviada pelos franceses", disse nesta segunda Laurent Wauquiez, porta-voz do governo. Ele adiantou ainda que haverá em breve "ajustes" no gabinete, mas assegurou que não ocorrerá uma reforma ministerial de grande porte. Numa entrevista à rádio France-Inter, Wauquiez comentou que o resultado do pleito sugere que os eleitores querem ver os resultados das reformas prometidas "mais rápido na vida cotidiana". Apesar de as eleições municipais terem importância nacional limitada, a perda de prefeituras e de maioria em câmaras de vereadores são um lembrete do quanto a aprovação a Sarkozy caiu menos de um ano depois de ele ter sido eleito com base num programa de profundas reformas econômicas e sociais para a França. Paris e Lyon continuaram nas mais dos socialistas. Toulouse, Estrasburgo, Blois, Reims, Caen e Amiens passaram para partidos de esquerda. Na votação nacional, resultados quase totalizados mostram uma estreita vantagem da oposição (48,7%) sobre o governo (47,6%). Onda socialista Segundo a BBC, a ampla vitória da esquerda francesa nas eleições municipais do domingo é um revés pessoal para o presidente Nicolas Sarkozy e um voto de sanção contra seu governo, escrevem os jornais franceses nesta segunda-feira. Em linhas gerais, a imprensa francesa avalia que a "onda rosa" - como a maioria dos jornais chama a vitória do Partido Socialista em diversas partes do país - é uma "advertência" para o governo do presidente Sarkozy.  Para o jornal Le Parisien, a onda da esquerda é "violenta", uma espécie de tsunami, e o presidente Sarkozy "recebeu um tapa na cara". O diário Libération escreve que o "charme de Sarkozy" se dissolveu apenas dez meses depois de sua eleição.  'Sanções' A socialista Ségolène Royal, ex-candidata à Presidência derrotada por Sarkozy, declarou que os resultados das eleições municipais representam "uma sanção contra a hiperpersonalização do poder", em referência à exposição constante do presidente na mídia, incluindo em relação à sua vida pessoal.  Em queda livre nas pesquisas de opinião, que lhe conferem uma popularidade de apenas cerca de 37%, Sarkozy vem sendo criticado por não ter agido para elevar o poder de compra dos franceses e por expor fortemente na mídia sua vida pessoal, incluindo divórcio e casamento.  O primeiro-ministro, François Fillon, preferiu declarar que "é melhor não tirar conclusões nacionais de uma votação local", mesmo porque o baixo índice de participação, de cerca de 65% - um dos mais baixos nas últimas décadas - não permite tirar lições dos resultados.  Mas o ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, também do partido UMP de Sarkozy, declarou que o governo "está muito à direita e deveria se abrir para o centro". Para ele, Sarkozy deve "corrigir a mira" e "modificar o discurso político" em relação a alguns temas, como o emprego.  Em editorial, o jornal Le Figaro, considerado como de direita, escreve que o governo deve tirar do "resultado medíocre" dessas eleições a conclusão de que é necessário "acelerar o ritmo das reformas e dar à função presidencial a solenidade que lhe cabe".

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