Sarkozy provoca polêmica sobre separação de Estado e religião

Presidente vem sendo criticado por adversários políticos por discursoso em que exalta o valor da fé

TOM HENEGHAN, REUTERS

17 de janeiro de 2008 | 12h40

As referências cada vez mais frequentes epositivas do presidente da França, Nicolas Sarkozy, a Deus e àfé religiosa geraram críticas entre pessoas que o acusam deviolar a separação existente no país entre a Igreja e o Estado. Sarkozy, um homem afeito a quebrar tabus e cuja vidaamorosa ocupa espaço nos meios de comunicação há semanas,rompeu com a tradicional postura reservada dos presidentesfranceses a respeito das religiões a fim de sublinhar as raízescristãs da França em um discurso proferido em uma basílica deRoma, pouco antes do Natal. Em Riad, na segunda-feira, o dirigente elogiou o islã,chamando-o de "uma das maiores e mais belas civilizações que omundo já conheceu", e descreveu os anfitriões sauditas comolíderes que "apelam para os valores básicos do islã paraenfrentar o fundamentalismo que os nega". Os elogios de Sarkozy a respeito de um reinado que impõe edissemina uma versão rigorosa do islã, durante uma visita cujoobjetivo era garantir a assinatura de lucrativos contratos deexportação, foram a gota d'água para os adversários dele. "Aqui não houve respeito pela separação entre a Igreja e oEstado", afirmou o líder dos socialistas, François Hollande, daoposição. "Essa é uma postura ideológica que faz da religião uminstrumento capaz de promover produtos franceses (tais como) asusinas nucleares nos países islâmicos", disse. "Misturarreligião e política externa é algo ilógico e errado." Jean-Louis Debré, um político gaullista que hoje comanda oConselho Constitucional, criticou Sarkozy indiretamente aoafirmar ser boa uma lei de 1905 sobre a separação entre oEstado e a Igreja e que é "oportuno garantir que seu equilíbrionão seja prejudicado". O debate pegou fogo dentro da Assembléia Nacional, naquarta-feira, quando o socialista Jean Glavany atacou odiscurso feito por Sarkozy em Riad: "Um discurso que cita Deusnão apenas em todas as suas páginas, mas em todas as suasfrases, cria um problema fundamental para a República". A ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie, respondeuafirmando que o governo deseja "ajudar todas asespiritualidades a expressarem-se, incluindo aquelas baseadasno ateísmo". REUTERS CS

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