Sarkozy quer acabar com 'regimes especiais' de pensões

Retomando discurso das reformas, francês pede corte de aposentadorias e o aumento da jornada de trabalho

Efe e Associated Press,

19 de setembro de 2007 | 14h54

O presidente francês, Nicholas Sarkozy, retomou nesta quarta-feira, 19, o discurso de reformas no país concedendo ao ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, mais duas semanas de negociações com os sindicatos sobre o sistema de proteção social "financeiramente insustentável" e sobre a abolição das vantagens dos regimes especiais de pensões.  O líder conservador quer cortar os planos de aposentadoria especial de algumas categorias, como a dos maquinistas e eletricistas - que hoje se aposentam aos 55 anos e contam com todos os benefícios sociais. "O objetivo é igualar os planos especiais ao regime regular, que foi reformado em 2003", disse o presidente. Além disso, o presidente quer flexibilizar a lei que limita a jornada de trabalho semanal em 35 horas. Sarkozy criticou, em discurso feito na última segunda, os altos seguros-desemprego, afirmando que esse tipo de pagamento desencoraja os franceses a procurar trabalho. Para o presidente, "a população da França precisa trabalhar mais". De acordo com Sarkozy, a norma inflexível de 35 horas semanais é responsável pelo desemprego na França.  Entre uma das propostas citadas nesta quarta, Sarkozy quer oferecer bônus - em forma de pagamento de horas extras ou dias de folga - para quem trabalhar mais do que a jornada de trabalho exige. Atualmente, os empregados do país cumprem até 40 horas semanais, segundo permissão de 1999, com generosas folgas anuais em compensação. Identidade nacional Sarkozy foi eleito em maio com uma campanha eleitoral baseada no tema de identidade nacional e na quebra de práticas antiquadas que atrasam o país. Para o presidente, freqüentemente acusado de discriminação, diz que é preciso ir mais longe e simplificar certos aspectos no que diz respeito à regulamentação do tempo de trabalho que é um dos mais complexos do mundo. Em seu discurso em ato no Senado, na última terça-feira, Sarkozy fez um diagnóstico bastante sombrio do sistema social francês, que não só "é insustentável financeiramente", como também "não incentiva o trabalho" e "não garante a igualdade de oportunidades". O Estado terá de gastar este ano quase 5 bilhões de euros com os regimes especiais, e a situação vai piorar com o tempo por razões demográficas. "A estratégia de repartição do trabalho foi um erro", e que "os franceses pagaram caro por isso", com altos níveis de desemprego. Em conseqüência disso, disse que terá de ir "mais longe" na flexibilização dessas leis trabalhistas e dar mais espaço à negociação nas empresas". Na última terça, o Parlamento começou a discutir novas regras para restringir a entrada de imigrantes no país, defendidas por Sarkozy. Entre as novas propostas, está a realização testes de DNA para comprovar o parentesco entre imigrantes que estão na França e parentes que queiram entrar no país. Os novos imigrantes também terão de comprovar que podem sustentar-se financeiramente e dominam a língua francesa. Até agora, as poucas reformas anunciadas pelo governo francês não levaram a grandes manifestações, mas os dias de paz de Sarkozy estão no fim. Partidos de esquerda pediram ontem "toda a mobilização necessária" para protestar contra os projetos "anti-sociais" do governo. Para a esquerda francesa, os trabalhadores enfrentam agora "a maior ofensiva anti-social dos últimos 50 anos". Reformas propostas Imigração: Projeto de lei prevê testes de DNA para imigrantes que quisessem ir para a França para viver com parentes já residentes em território francês. Imigrantes também teriam de assinar um contrato pelo qual se comprometem a respeitar os direitos e deveres do país, além de realizarem testes de língua francesa para comprovar que sabem o idioma francês Leis trabalhistas:Lei que estabelece a jornada de trabalho de 35 horas semanais seria menos rígida. Projeto de fusão do órgão nacional de emprego com a agência responsável pelo pagamento de benefícios aos desempregados Aposentadoria:Projeto põe fim a planos de aposentadorias especiais, a que hoje teriam direito cerca de 500 mil trabalhadores de estatais. Atualmente, 1,1 milhão já recebem o benefício Seguro de saúde:Imposição de uma nova taxa nos serviços de saúde com objetivo de levantar fundos para a luta contra o câncer e o mal de Alzheimer. Sarkozy também quer que o governo organize mais debates sobre quais encargos médicos devem ser pagos pelo serviço público e quais devem ficar sob responsabilidade dos cidadãos Com O Estado de S. Paulo

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