Sarkozy quer converter 'não' irlandês em oportunidades

Novo líder da UE, presidente terá de discutir temas como imigração, clima, política agrícola e defesa da Europa

EFE

29 de junho de 2008 | 11h25

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assume na próxima terça-feira, 1º, a Presidência semestral da União Européia (UE) resolvido a transformar o desafio do "não" irlandês ao Tratado de Lisboa em uma oportunidade para mostrar que a Europa pode e deve escutar e responder às preocupações dos cidadãos.  Desde que os irlandeses rejeitaram o tratado, que substitui a Constituição vetada por franceses e holandeses em 2005, Sarkozy e seu governo disseram que esse "não" complicará seu trabalho, mas tornou ainda mais enfáticas suas prioridades para os próximos seis meses.  Tais prioridades consistem em um pacto europeu sobre a imigração, um acordo sobre o "pacote energia-clima" para que a UE esteja em uma posição de força para a negociação de um acordo internacional contra a mudança climática no final de 2009, a revisão da Política Agrícola Comum (PAC) e o relançamento da Europa da Defesa. Os temas, segundo os líderes franceses, têm reflexos na vida cotidiana dos cidadãos, que estão submetidos à alta do preço do petróleo e dos alimentos e à má situação da economia, assim como desejam uma Europa que os "proteja" e "tranqüilize".  Impopular, mas consciente do ceticismo dos compatriotas sobre sua capacidade de dar um novo impulso à Europa, principalmente no plano econômico, Sarkozy insistirá na vontade de agir e de adotar medidas concretas para os cidadãos. Ele dará uma entrevista exibida pela televisão de uma hora na segunda-feira à noite, 30, antes de o país assumir o bloco. Na terça-feira, o presidente protagonizará um ato no Arco do Triunfo, antes de receber para um jantar, no Palácio do Eliseu, os membros da Comissão Européia (CE), que antes terão uma reunião com todo o governo francês para revisar as prioridades e o calendário do semestre. "Modéstia", "humildade" e "nada de arrogância" foram palavras de ordem do Palácio do Eliseu para a Presidência da UE, na qual Sarkozy deverá evitar as críticas inoportunas e atuações solitárias a fim de promover sua agenda e ajudar a buscar uma saída para o problema criado pelo "não" irlandês ao tratado, o qual havia impulsionado. Embora a França e a Espanha não pudessem fechar na sexta-feira passada, 27, o acordo esperado sobre a minuta do pacto de imigração, a aposta é que esta seja acertada na reunião dos ministros europeus de Interior e Justiça, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho, em Cannes. O ministro de Imigração francês, Brice Hortefeux, encarregado de aplicar na França a política de "imigração escolhida" por Sarkozy, e que ouviu todos os colegas e muitos euro-deputados para impulsionar o projeto de pacto, diz que há um acordo "unânime" dos 27 países do bloco sobre os "princípios". Ele afirmou também que confia em sua adoção na primeira cúpula européia da Presidência, em outubro.  Pela urgência e complexidade do tema, a primeira reunião ministerial da Presidência francesa da UE em Paris é a das titulares de Energia e Meio Ambiente, de 3 a 5 de julho. A meta é um acordo em dezembro sobre a distribuição das obrigações e o mecanismo para reduzir em 20% as emissões de CO2 na atmosfera em 2020 e elevar para 20% a parte de energias renováveis no consumo energético total.Isso é um grande desafio, dadas as divergências de interesses e situações dos Estados da UE. A Europa precisa dar o exemplo para facilitar um acordo internacional no final de 2009 contra a mudança climática.  Também não é fácil a revisão da Política Agrícola Européia para permitir que os agricultores supram o aumento da demanda mundial e reajam às mudanças do mercado.A base da negociação será a polêmica proposta de Bruxelas, que privilegia o desenvolvimento rural sob ajudas diretas e reduz ao máximo os mecanismos de intervenção.  A quarta prioridade é o relançamento da Europa da defesa, que Sarkozy coloca como assunto principal para que a França volte a ter o comando integrado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), previsto para 2009. Sarkozy quer renovar a estratégia de segurança da UE diante das novas ameaças, bem como aumentar as capacidades operacionais européias e dinamizar a agência européia de armamento. Mas, apesar de os Estados Unidos já não se oporem à Europa da Defesa, o Reino Unido resiste a passos firmes à proposta.  Além disso, a primeira quinzena de julho será marcada pela cúpula do dia 13 em Paris, para a qual foram convidados todos os líderes da UE e dos países da margem sul do Mare Nostrum, a fim de lançar o projeto impulsionado por Sarkozy e retocado e renomeado pela UE como "Processo de Barcelona: União por o Mediterrâneo".

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