Sarkozy rejeita corte de gastos e mantém semana de 35 horas

A França manterá a jornada semanal de 35horas de trabalho, permitindo a isenção tributária das horasextras, disse na terça-feira o presidente Nicolas Sarkozy, quetambém rejeitou a idéia de mais austeridade orçamentária. Ele disse que sua estratégia para equilibrar o orçamento daFrança até 2012, conforme prometido aos parceiros da UE, éestimular mais empregos e mais horas extras para gerar maisriquezas. Sarkozy qualificou a jornada de 35 horas, adotada há dezanos pelo governo socialista da época, como uma "catástrofeeconômica", mas aparentemente reluta em abandoná-la, para nãoirritar sindicatos e eleitores. "Não acredito em austeridade. O que trouxeram as medidas deausteridade [do passado]? Mais desemprego, mais déficit e menoscrescimento", disse Sarkozy à rádio RTL. "Austeridade consiste em enxugar gastos sem se preocupar emaumentar receitas. O que eu quero fazer é controlar os gastospara que cada cêntimo de euro seja bem gasto, mas ao mesmotempo estimule o crescimento para que a receita cresça. Teremosum retorno maior porque as pessoas estarão trabalhando mais." Segundo ele, "haverá sempre uma semana de trabalho fixa, eserá de 35 horas". Quem trabalhar além disso poderá deduzir ovalor na declaração de imposto de renda. Muitos aliados, inclusive o presidente do seu partido, oUMP, gostariam de medidas mais incisivas e defendem o fim dajornada semanal de 35 horas. A resistência às reformas de Sarkozy se manifesta na quedada popularidade do presidente e na onda de greves e protestosdos últimos meses. Na semana passada, houve manifestaçõescontra o aumento do tempo de contribuição previdenciária de 40para 41 anos. Na entrevista à RTL, Sarkozy disse que vai manter o projetoporque o atual sistema é insustentável. Mas acrescentou que nãovai seguir o conselho do sindicato patronal, que defende aampliação da idade mínima de aposentadoria de 60 para 63 anos. "Não o farei. Não falei a respeito na minha campanha[eleitoral]. Não assumi esse compromisso com o povo francês,portanto não tenho mandato para tal." Ele disse também que não vai ceder na sua decisão de nãosubstituir metade dos funcionários públicos que se aposentem, afim de cortar gastos públicos. Isso levará ao fechamento de11,2 mil vagas no setor educacional no próximo ano letivo. (Reportagem adicional de Crispian Balmer)

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