Sarkozy respalda política militar de Bush para o Afeganistão

Presidente francês anuncia envio de tropas para o país; França voltará à estrutura militar da Otan em 2009

Agências internacionais,

03 de abril de 2008 | 07h57

A França anunciou nesta quinta-feira, 3, que enviará mais tropas ao Afeganistão, num claro apoio às políticas do presidente americano, George W. Bush, para o país. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou ainda ao Conselho Atlântico que a França voltará no próximo ano a integrar as estruturas militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), após ostentar a Presidência rotativa da União Européia (UE) no segundo semestre de 2008.   Veja também: República Checa e EUA anunciam acordo para escudo antimíssil   Em Bucareste, Sarkozy confirmou oficialmente que a França enviará um novo batalhão ao leste do Afeganistão, com cerca de 700 soldados, e que o país assumirá o comando da região central durante um ano e ainda em 2008, o que poderia significar a contribuição de outros 200 militares. A França é o único dos 26 países-membros da Aliança que não pertence à Estrutura Militar Integrada, desde que o general Charles de Gaulle a abandonou em 1966, em protesto pelo excessivo protagonismo dos Estados Unidos.   Após a Presidência francesa, "chegará o momento de tomar as decisões necessárias para que a França assuma o lugar que lhe corresponde nas estruturas da Otan", disse Sarkozy em discurso a portas fechadas. Até que chegue este momento, o presidente francês ressaltou sua determinação de "trabalhar com todos os parceiros europeus para dar um novo impulso à Defesa da Europa". "É minha ambição, minha prioridade. A Presidência francesa da UE nos dá a ocasião ideal", disse Sarkozy, antes de agradecer ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, "pelo forte apoio que acaba de dar a esta iniciativa".   Sobre os acordos da cúpula, o presidente francês deu ainda uma "alegre" saudação de boas-vindas a Croácia e Albânia à Aliança. Além disso, expressou seu desejo de que a Macedônia se junte à Otan "em breve", "mas respeitado as preocupações de nossos aliados gregos, com os quais somos solidários". Sobre a entrada das ex-repúblicas soviéticas Ucrânia e Geórgia, Sarkozy afirmou que ainda espera pela melhora da estabilidade política dos dois países, ainda que julgue "legítimas" suas aspirações na integração. Paris foi um dos que se opuseram à assinatura do Plano de Ação para a Adesão.   "Estamos dispostos a trabalhar com estes dois países amigos e ajudá-los em sua transformação democrática", disse o francês, que junto a Alemanha, Espanha e outros membros do bloco considera que as duas repúblicas não estão ainda suficientemente preparadas. Sarkozy ainda se mostrou favorável a um "diálogo intensificado" com Bósnia-Herzegovina e Montenegro, dentro do empenho da Aliança em aprofundar suas relações com as ex-repúblicas comunistas.   Sarkozy afirmou que "a última garantia da segurança européia repousa na dissuasão nuclear", e assegurou que a França participará "com pragmatismo" do debate sobre os meios úteis para isso. O presidente francês reconheceu neste sentido que a iniciativa dos EUA de instalar um escudo antimísseis na Europa "contribui para a segurança dos aliados".

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