Sarkozy tenta resolver disputa interna para sucessor no partido

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy se reuniu nesta segunda-feira com um dos dois homens envolvidos em uma disputa cruel para sucedê-lo como líder do partido conservador, depois de um dos fundadores do partido ter lhe implorado para entrar em cena para salvar o partido de uma ruptura.

CATHERINE BREMER, Reuters

26 de novembro de 2012 | 15h23

Sarkozy, que tinha até agora evitado a disputa de uma semana sobre quem ganhou a votação para a liderança do partido em 18 de novembro, realizou uma reunião com François Fillon, que está preparando uma contestação legal contra a vitória apertada do rival Jean-Francois Cope.

A reunião na hora do almoço aconteceu horas depois de Alain Juppé, um veterano de centro-direita e ex-primeiro ministro, ter abandonado sua tentativa de mediar uma solução após conversas infrutíferas com os rivais em guerra no UMP e ter dito que Sarkozy poderia ser a última esperança do partido.

A disputa, descrita pelo jornal conservador Le Figaro como "suicídio ao vivo", ameaça dividir um partido cuja missão quando fundado há uma década era de unir facções de centro e de extrema direita que Fillon e Cope representam.

"Parece claro que (Sarkozy) é a única pessoa hoje com autoridade suficiente para propor uma solução onde eu não consigo enxergar uma", disse Juppé à rádio RTL. "Está nas mãos dele."

Dois terços dos partidários do UMP querem que Sarkozy dispute a eleição presidencial de 2017, apesar de sua promessa de deixar a política quando ele perdeu o poder em maio. Analistas acreditam que a disputa atual aumenta as chances de um retorno dele.

Fillon, que foi primeiro-ministro no mandato de Sarkozy, mas tem uma posição mais centrista, não fez nenhum comentário ao chegar para a reunião.

Cope, um discípulo de Sarkozy com visões duras em questões como imigração, disse ao canal de televisão BFM que a decisão de Fillon de tomar medidas legais era a maneira errada de acabar com a briga.

A disputa para encontrar um sucessor para Sarkozy, que mergulhou no caos quando os dois lados se acusaram de aumentar votos, transformou em piada um partido que ocupou a Presidência por uma década até a vitória dos socialistas em maio.

Isso está se tornando um benefício para o presidente François Hollande à medida que ele lida com uma economia estagnada e queda na popularidade.

"É difícil ver como o UMP continua como um partido depois disso", escreveu Arthur Goldhammer, especialista do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Harvard, em seu blog sobre política francesa. "É evidente que esta é uma saga que não vai se desenrolar em um dia."

O desastre expôs uma divisão profunda sobre a mudança gradual do partido para a direita em questões como imigração e religião, que poderia agora remodelar o cenário político.

Na pior das hipóteses, analistas preveem uma cisão de um partido que o ex-presidente Jacques Chirac fundou para manter a direita em um caminho centrista definido pelo general Charles de Gaulle após a Segunda Guerra Mundial.

Mesmo que o partido possa se manter unido, a disputa corre o risco de distrair o UMP durante meses de seu papel como principal partido da oposição, beneficiando tanto a esquerda quanto a extrema-direita antes das eleições locais em 2014.

"Esta novela ruim tem que acabar, porque a democracia precisa de uma oposição operacional", disse o Partido Socialista em um tweet. O Le Figaro pediu a Fillon e Cope em um editorial de primeira página para "encerrar o massacre" e disse que o "espetáculo patético" de sua disputa era um insulto à política.

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