Sarkozy visita Kadafi e pode reviver relação entre Líbia e UE

Presidente francês viaja a Trípoli um dia após governo líbio libertar equipe médica estrangeira

BBC Brasil, BBC

25 Julho 2007 | 03h02

Um dia depois da libertação de uma equipe médica da Bulgária que estava presa havia oito anos na Líbia, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, chegOU nesta quarta-feira, 25, a Trípoli para se encontrar com o líder líbio, Muammar Khadafi. Sarkozy afirmou que sua viagem vai ajudar a Líbia a reingressar na comunidade internacional. A libertação desses prisioneiros era uma das condições para que Sarkozy visitasse o país. Representantes da Líbia e da União Européia disseram acreditar que suas relações vão melhorar depois da libertação da equipe médica. O ministro de Relações Exteriores da Líbia, Mohammed Abdel-Rahman Shalgam, disse que a decisão do governo líbio de libertar as cinco enfermeiras e o médico abriu caminho para maior cooperação e parceria entre seu governo e a União Européia. Na agenda do encontro entre Sarkozy e Khadafi está a assinatura de acordos de cooperação bilateral. Esses acordos devem incluir as áreas de segurança, energia e pesquisa científica. Segundo a correpondente da BBC em Paris Emma Jane Kirby, Sarkozy quer maior ajuda da Líbia na luta contra o terrorismo. O presidente francês também quer mais apoio do governo líbio para reduzir o fluxo de imigrantes ilegais que chegam ao sul da Europa vindos no norte da África. Esta será a primeira viagem de Sarkozy à África depois que assumiu a presidência da França. O roteiro inclui ainda Senegal e Gabão. A libertação da equipe médica foi resultado de anos de negociação. As cinco enfermeiras búlgaras e o médico (que é palestino mas obteve a nacionalidade búlgara no mês passado) haviam sido presos em 1999 sob a acusação de infectar com o vírus HIV 438 crianças em um hospital na cidade líbia de Benghazi. Em 2004, os seis trabalhadores médicos foram condenados à morte. A condenação provocou protestos internacionais. Os condenados negavam as acusações e diziam que foram submetidos a torturas para admitir os crimes. Especialistas de fora da Líbia disseram que as crianças foram infectadas antes da chegada dos profissionais ao hospital e que as infecções eram mais provavelmente resultado das condições impróprias de higiene no local. Na semana passada, a pena de morte foi transformada em prisão perpétua pelo Alto Conselho Judicial líbio, após a decisão dos familiares das crianças infectadas de aceitar uma indenização de US$ 1 milhão por criança e retirar o pedido para que os réus fossem executados. Nesta terça-feira, as cinco enfermeiras e o médico foram libertados e enviados à capital da Bulgária, Sófia. Na chegada ao país, eles receberam o perdão do presidente búlgaro, Georgi Parvanov. Sua libertação foi comemorada em toda a Bulgária. Tanto a Europa quanto os Estados Unidos sempre deixaram claro ao governo líbio que a libertação desses prisioneiros era essencial para melhorar as relações com o país. Sua libertação ocorreu ao final de uma viagem de três dias à Líbia da comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, e da primeira-dama francesa, Cecilia Sarkozy. Segundo Ferrero-Waldner, esse episódio marca "uma nova página na história das relações entre a União Européia e a Líbia". O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, também disse que a União Européia poderá agora começar a normalizar suas relações comerciais e políticas com a Líbia. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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