Scotland Yard defende operação que matou Jean Charles

Em 'circunstâncias muito difíceis', polícia diz que 'fez o possível' nos trabalhos no dia da morte do brasileiro

Efe,

03 de outubro de 2007 | 10h31

Um alto funcionário da Scotland Yard defendeu nesta quarta-feira, 3, a operação de vigilância feita no dia em que o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto e assegurou que a corporação fez o possível para enfrentar a ameaça terrorista. No julgamento que a Scotland Yard enfrenta em relação ao caso de Jean Charles, o chefe da operação de vigilância da Polícia, John Mcdowell, acrescentou que sempre pensa em que outras táticas poderiam ter sido utilizadas para evitar um incidente trágico. O brasileiro, de 27 anos, foi morto a tiros em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, por policiais que o confundiram com um terrorista suicida. Mcdowell era o responsável por uma operação da polícia que vigiava um bloco de apartamentos no sul de Londres, onde se acreditava que vivia o terrorista Hussain Osman, um dos envolvidos nos ataques fracassados de 21 de julho de 2005 contra a capital britânica. Nesse momento, as forças de segurança trabalhavam duro para proteger a população de uma clara ameaça terrorista, e em meio a "circunstâncias difíceis", afirmou Mcdowell. "Desde então pensei constantemente em que outras possíveis táticas ou estratégias estavam disponíveis devido ao resultado de circunstâncias trágicas", acrescentou. "Meu ponto de vista é que fizemos o possível naquela manhã para acabar com o que era claramente uma ameaça contra a população, em circunstâncias muito difíceis", disse o chefe da operação policial. A Scotland Yard é processada por crimes contra a lei de Segurança e Higiene no Trabalho, de 1974, que obriga as forças de segurança a velar pela integridade inclusive daqueles que não são seus funcionários. O julgamento contra as forças de segurança deverá durar mais de quatro semanas. A Promotoria britânica decidiu no ano passado exonerar os agentes envolvidos no incidente e processar toda a instituição por crimes contra a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho. Os atentados fracassados de 21 de julho de 2005 não deixaram nenhuma pessoa ferida, pois apenas os detonadores explodiram, e não as bombas. O ataque, no entanto, tinha como objetivo imitar o que foi cometido em 7 de julho de 2005 contra a rede de transportes de Londres, que deixou 56 mortos, incluindo os quatro terroristas suicidas.

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