Scotland Yard é acusada de espionar deputado muçulmano

Órgão teria gravado conversas do deputado Sadiq Khan com Babar Ahmad, acusado de colaborar com terroristas

EFE

04 de fevereiro de 2008 | 00h47

A brigada antiterrorista da Scotland Yard foi acusada nesta segunda-feira por um jornal de espionar um parlamentar muçulmano do governamental Partido Trabalhista durante várias visitas feitas a um preso acusado de terrorismo pelos Estados Unidos. Segundo o "The Sunday Times", que diz ter tido acesso a um documento que prova a acusação, a Polícia usou um dispositivo eletrônico escondido sob uma mesa para gravar duas conversas que o deputado Sadiq Khan manteve em 2005 e 2006 com Babar Ahmad, um britânico de religião muçulmana que poderia ser extraditado aos EUA. O episódio ocorreu na prisão de Woodhill, ao noroeste de Londres, onde Ahmad está detido acusado pelas autoridades americanas de dirigir um site que teria como objetivo arrecadar fundos para os talebans afegãos e terroristas chechenos.Khan, uma das jovens figuras do trabalhismo, é deputado pela circunscrição eleitoral de Tooting (sul de Londres), à qual o preso pertence. Por acaso, o detido vem a ser um amigo de infância do parlamentar. Nas conversas supostamente gravadas pela Yard, o deputado, ex-presidente do grupo de defesa das liberdades civis Liberty, e o detento falaram de assuntos pessoais e legais, segundo o "Sunday Times". O suposto terrorista aguarda que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos se pronuncie sobre seu recurso contra sua extradição aos EUA, autorizada pelo Reino Unido em 2005.  Se for comprovado, será uma violação a um édito de 1966 que proíbe a Polícia e os serviços secretos de grampear os deputados do Reino Unido desde os escândalos de espionagem ocorridos durante os mandatos do ex-primeiro-ministro Harold Wilson (1964-1970 e 1974-1976). Após a publicação da notícia, o ministro de Justiça britânico, Jack Straw, ordenou uma investigação sobre o caso. "É completamente inaceitável que se grave uma entrevista de um parlamentar sobre um assunto relacionado a um membro de sua circunscrição ou qualquer outro tema", afirmou Straw. O próprio Sadiq Khan disse estar "preocupado" com as denúncias, mas satisfeito com que Straw tenha ordenado uma investigação.  "Obviamente, quero saber se as acusações são verdadeiras, porque as implicações claramente são muito sérias", disse o parlamentar de Tooting à "BBC". A controvérsia se complicou quando o porta-voz de Interior da oposição conservadora, David Davis, alegou ter recebido informação, de uma fonte cuja identidade não quis divulgar, sobre a espionagem a um deputado trabalhista. Davis decidiu enviar em dezembro uma carta ao primeiro-ministro, Gordon Brown, para alertar para o fato. Embora ele tenha tornado pública a carta, um porta-voz de Downing Street, escritório do chefe do Governo, indicou que após "uma revisão detalhada", não há registro do documento.

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