Ségolène Royal denuncia 'femicídio político' em visita ao Chile

Ex-candidata derrotada diz que venceria eleições se declarasse um décimo do que Sarkozy falou em campanha

Efe,

30 de outubro de 2007 | 07h43

A ex-candidata à Presidência da França Ségolène Royal concordou com a tese da presidente chilena, Michelle Bachelet, de um "femicídio político", para ilustrar as duras críticas contra as mulheres que atuam na política. "A presidente Bachelet tem razão. Para a mulher é muito mais difícil. Ela enfrenta uma situação sem saída. Quando mostra autoridade e eleva a voz, dizem que é histérica; se não agir assim, dizem que falta autoridade", disse Ségolène, após uma reunião com a direção do Partido Socialista chileno. Ségolène Royal chegou nesta segunda-feira a Santiago, depois de assistir às eleições presidenciais argentinas, vencidas por Cristina Kirchner. Para ela, a incorporação da mulher à política "é uma evolução histórica muito importante", mas ainda é muito difícil. "É mais difícil de qualquer forma chegar ao poder, porque os homens têm uma forte resistência a abrir caminho a uma mulher, embora não digam isso abertamente e não atuem todos em bloco", denunciou Royal. "Se a mulher faz sucesso, os homens dizem que 'é normal'. Se não vai tão bem, então a destroem com suas críticas", acrescentou a política francesa. A ex-candidata presidencial opinou que, se durante sua campanha, ela tivesse declarado "a décima parte" do que disse seu oponente e atual presidente Nicolas Sarkozy sobre a África, os imigrantes ou outras matérias sensíveis para a França, "teria sido criticada e condenada duramente". "Isso não acontece com Sarkozy, apesar de ele ter feito coisas tão contrárias à civilização francesa", comparou. Ségolène Royal se declarou "muito contente por estar no Chile", com seus "amigos socialistas". E confirmou que se reunirá com a governante chilena, que acompanhou em comícios na reta final de sua campanha, no início de 2006. Bachelet retribuiu o apoio com mensagens e vídeos divulgados na tentativa de Royal de chegar à Presidência. "Estou muito interessada nas reformas sociais que a presidente Bachelet promove", concluiu Ségolène.

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