Seis devem disputar Presidência russa; ex-dissidente fica fora

As autoridades eleitorais da Rússiareduziram neste sábado para seis o número de candidatos àseleições presidenciais de 2008, rejeitando a inscrição doex-dissidente soviético Vladimir Bukovsky porque ele tambémpossui nacionalidade britânica. Os russos vão às urnas em março para eleger o sucessor dopresidente Vladimir Putin, que já indicou seu candidatopreferido, seu aliado Dmitry Medvedev. O apoio de Putin torna aeleição de Medvedev praticamente certa. A Comissão Central Eleitoral rejeitou as inscrições de setecandidatos independentes, incluindo Bukovsky, que passou 13anos entrando e saindo de campos de trabalho forçado na erasoviética e foi trocado pelo político chileno Luís Corvalán em1976. Desde essa data ele tem vivido na Grã-Bretanha. "Na opinião da Comissão, Bukovsky tem permissão deresidência em outro país. Acima de tudo, ele não tem vivido emterritório russo nos últimos dez anos", disse à Reuters osecretário da comissão, Nikolai Konkin. A comissão aceitou a inscrição do ex-primeiro-ministroMikhail Kasyanov, um dos mais francos críticos de Putin. Kasyanov, o liberal Boris Nemtsov -- cujo partido, a Uniãodas Forças de Direita, não conseguiu nenhuma cadeira naseleições parlamentares deste mês --, e o candidato independenteAndrei Bogdanov têm prazo até 16 de janeiro para recolher 2milhões de assinaturas cada em todo o país. Medvedev, o líder comunista Guennady Zyuganov e onacionalista Vladimir Jirinovsky, que contam com o apoio deseus partidos, não precisam recolher assinaturas eprovavelmente obterão o registro de suas candidaturas na semanaque vem. Bukovsky, que procurou consultoria sobre seus direitoslegais para concorrer à Presidência, disse que vai contestar oque classificou como "decisão politicamente motivada daJustiça". "Esta decisão é obviamente política. Tudo neste país épolítico. Vamos apelar desta decisão na Suprema Corte", disseBukovsky por telefone à Reuters, falando da Grã-Bretanha. As relações britânico-russas mergulharam no seu pior níveldesde a Guerra Fria depois do envenenamento, em Londres, no anopassado, de Alexander Litvinenko, um ex-funcionário dainteligência russa e também cidadão britânico.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.