Seis mil se reúnem em Atenas para protestar contra incêndios

De preto, manifestantes organizados pela internet cobravam postura do governo e reais motivos das chamas

Agências internacionais

29 de agosto de 2007 | 18h39

Vestindo preto em sinal de luto, milhares de gregos protestaram nesta quarta-feira, 29, contra a reação dos políticos aos incêndios florestais que mataram 63 pessoas e destruíram matas e cidades nos últimos dias.Bombeiros começam a controlar incêndios   A manifestação reuniu mães com carrinhos de bebê, pais com filhos nos ombros, adolescentes skatistas e idosos aposentados, numa passeata silenciosa que lotou a praça Syntagma (Constituição), no centro de Atenas, diante do Parlamento. Cerca de 8.000 pessoas participaram.   Convocados por meio de mensagens via internet, os manifestantes colocaram um imenso cartaz preto sem slogans sobre as escadas que levam ao Parlamento.   Filipos Kamburis, de 27 anos e presidente da ONG grega "Amo a Vida" disse que a instituição pretende organizar "um dia de luto pelos mortos nos incêndios e pelas florestas queimadas para pressionar o governo a providenciar ações de reflorestamento e ajuda aos desabrigados".   Muitos cartazes com palavras de ordem encheram a praça. Uma das faixas dizia: "A política queima o país e nossas vidas. Os políticos devem ir para casa".   "É o único recurso que temos: protestar na rua. O próximo passo será jogar cinza nas urnas", disse Elefteria Kitsi, de 28 anos e funcionária pública.   Os incêndios começaram a recuar nesta quarta-feira, mas já deixaram milhares de desabrigados, destruíram aldeias inteiras e transformaram enormes trechos de floresta em cinzas.   O governo conservador vem sendo acusado de incompetência na reação à crise, mas aparentemente a oposição socialista não conseguiu capitalizar o descontentamento e transformá-lo em intenção de voto para as eleições parlamentares do dia 16 - pesquisas mostram que os dois principais partidos perderam popularidade devido ao incêndio, e que as siglas menores saíram ganhando.   Diamantis Seitanidis, à frente de uma ONG, assegurou que há uma equipe disposta a ir até as áreas afetadas pelos incêndios, "para verificar se o governo está cumprindo com sua palavra e com a ajuda prevista aos desabrigados".   O partido Nova Democracia chegou ao governo em 2004, encerrando 11 anos de hegemonia do Pasok (Partido Socialista Pan-Helênico). Os dois se alternam no poder desde a redemocratização da Grécia, em 1974.   "Nossa mensagem aos políticos é clara: eles devem mudar a forma como se comportam", declarou Dimitris Mavridakis, 80 anos.   Especulando os motivos   Muitos gregos acreditam que especuladores imobiliários ordenaram os incêndios para liberar terrenos para construções, aproveitando deficiências nos registros fundiários e nas leis de zoneamento.   "O cimento e os lucros são deles, as mortes são nossas", afirmava um cartaz na manifestação, organizada por grupos de cidadãos e blogueiros.   "Vivemos um novo processo de deslocamento", afirmou a mãe de Elefteria, Penelope, de 58 anos. "Minha geração recebeu terras calcinadas depois da Segunda Guerra Mundial e da guerra civil. Agora entregamos mais cinzas às novas gerações".   Duas idosas, moradoras da ilha de Eubea - uma das regiões mais afetadas -, se disseram aliviadas por não terem perdido nada nos incêndios. Afirmaram ainda que foram à manifestação "para saber por que queimaram as pessoas e as florestas".   Um grupo de jovens gritava: "Queimam a natureza em nome do desenvolvimento".   O governo considera que tantos incêndios simultâneos, de norte a sul do país, "não são uma coincidência", e oferece até 1 milhão de euros por pistas que levem a possíveis incendiários.

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