'Sejamos amigos, pessoal', diz Putin a líderes da Otan

O presidente da Rússia, VladimirPutin, pediu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)que se esforce para chegar a um acordo com o país sobredisputas referentes à ampliação da aliança militar, ao controlede armas e a um escudo de defesa antimíssil. As declarações foram dadas na sexta-feira, durante umacordial despedida do líder russo, que participou de sua últimacúpula da entidade. Putin reconheceu que a "ressurreição de uma Rússia forte eindependente" não facilitou as relações do país, mas observouque o sucessor dele, Dmitry Medvedev, teria a chance deconsolidar laços internacionais. Um encontro de 90 minutos com o presidente dos EUA, GeorgeW. Bush, e com outros líderes da Otan em Bucareste não resultouem grandes avanços a respeito de vários pontos de atrito, entreos quais Kosovo e o escudo antimíssil planejado pelosnorte-americanos, desavenças essas que levaram as relaçõesrecíprocas a seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. No entanto, apesar de Putin ter reafirmado a oposição russaaos planos de expansão da Otan, considerados uma ameaça empotencial, o tom do pronunciamento dele diferenciou-se bastantedas críticas mordazes lançadas anteriormente contra os EUA e osaliados deles ao longo dos últimos meses. "Sejamos amigos, pessoal. Sejamos francos e abertos",afirmou em uma entrevista coletiva, declarando ser impossível aeclosão de uma nova Guerra Fria. A presença de Putin na cúpula marca a primeira vez em seisanos em que os líderes da Otan convidaram o líder russo paraparticipar de um encontro do tipo. O fato deu-se um mês antesde o dirigente entregar seu cargo a Medvedev, um fiel aliado. No sábado, Putin receberá Bush -- que também chega ao fimde seu governo -- em sua vila à beira do mar Negro, em Sochi,para discutir as idéias dos norte-americanos sobre um eventual"projeto estratégico" de pacto de segurança que o líder dos EUAgostaria de deixar como legado seu. "Não posso dizer que nesta manhã obtivemos avançoshistóricos", afirmou o secretário-geral da Otan, Jaap de HoopScheffer, em uma entrevista coletiva. Mas acrescentou: "Asnegociações transcorreram em um clima positivo." A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defendeu arealização de cúpulas mais frequentes e regulares com o líderrusso, afirmando: "A Otan não é contra ninguém -- e certamentenão é contra a Rússia. A Rússia representa um parceiro." Tanto Putin quanto Merkel disseram que seria possívelchegar a uma solução para os problemas envolvendo o tratado deForças Convencionais na Europa. O governo russo suspendeu suaparticipação do acordo, argumentando que os termos do pactoassinado ainda na época da União Soviética eram injustos. (Reportagem adicional de Justyna Pawlak e DavidBrunnstrom)

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