Sem acordo, Grécia caminha em direção a novas eleições

O presidente da Grécia, Karolos Papoulias, convocou líderes partidários no sábado, para uma última tentativa de evitar novas eleições, mas o esforço parecia fadado ao fracasso depois que políticos profundamente divididos sobre planos de austeridade afirmarem que iriam manter suas convicções.

LEFTERIS PA, REUTERS

12 Maio 2012 | 13h38

O cenário político da Grécia está desordenado uma semana após as eleições parlamentares deixarem quase igualmente dividido os partidos contra e a favor a uma ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, que mantém o governo grego solvente, em troca de promessas de profundos cortes de gastos e aumento de impostos.

Se Papoulias falhar em uma última tentativa de convencer os líderes a formarem uma coalizão, ele terá que convocar uma nova votação em junho. As sondagens de opinião preveem que o equilíbrio de poder pende decisivamente para os opositores radicais de esquerda ao plano de resgate, potencialmente prejudicando a permanência da Grécia na zona euro.

O presidente chamou os líderes dos três maiores partidos da coalizão para negociações no domingo, após o líder socialista Evangelos Venizelos tornar-se o terceiro e último a reconhecer que não conseguiu montar uma coalizão.

Sem um governo para negociar uma nova parcela de auxílio da UE e do FMI, a Grécia corre o risco de falência em semanas e - como os líderes europeus agora reconhecem abertamente- a potencial retirada da zona do euro.

Autoridades dos partidos disseram no sábado que não mudariam suas posições.

"Não há mudança (em nossa posição)", disse Panos Skourletis, um porta-voz do partido de esquerda Syriza, que é contra o plano de resgate e ficou em segundo lugar n a eleição do último domingo, e desde então viu sua popularidade crescer à medida que eleitores insatisfeitos com o plano se reúnem em torno de seu carismático líder, Alexis Tsipras.

"É óbvio que há um esforço para montar um governo que vai implementar o pacote de resgate. Nós não estamos participando de tal governo", afirmou Skourletis à Reuters.

Um oficial do alto escalão do partido menor e mais moderado Esquerda Democrática, que tem assentos suficientes para dar maioria aos partidos pró-resgate, reiterou que não iria participar de um governo, a menos que o Syriza também aceitasse participar.

O Fundo para o resgate da União Europeia e Fundo Monetário Internacional exige que a Grécia corte salários, aumente os impostos, demita funcionários públicos, venda patrimônios do Estado e reforme as leis trabalhistas.

(Reportagem adicional de Karolina Tagaris e Renee Maltezou)

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