Separatistas dizem que ataques mataram mais de mil na Geórgia

Governo afirma que bombardeio da Rússia matou 30; militares russos ocupam parte da capital rebelde

Agências internacionais,

08 de agosto de 2008 | 12h52

O ministro da região separatista georgiana da Ossétia do Sul, Teimuraz Kasaev, afirmou nesta sexta-feira, 8, que cerca de 1,4 mil pessoas morreram no bombardeio noturno realizado pelas forças da Geórgia em sua capital Tskhinvali, segundo relatos de familiares.    Veja também: Rússia ocupa parte de capital separatista Rússia invade Geórgia em defesa de província ONU diz que milhares fugiram para a Rússia Entenda o conflito separatista na Geórgia e a relação russa Assista ao vídeo no Youtube   Professor comenta a situação no Cáucaso    Moscou anunciou nesta sexta o envio de reforços à Ossétia do Sul e informou que dez de seus soldados morreram depois de Tbilisi ter iniciado, um dia antes, uma ofensiva militar contra o enclave, situado na fronteira com a Rússia e a menos de 60 quilômetros da capital georgiana. Trata-se do mais grave incidente na região desde 1992.   Segundo o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, 30 pessoas morreram no bombardeiro promovido por aviões de combate russos contra uma base militar de Marneuli, a 40 quilômetros da capital do país, Tlibisi. Além disso, os russos bombardearam a base militar georgiana de Viaziani, cerca de 15 quilômetros ao oeste de Tbilisi, e as localidades de Gori, Kareli e Variani, embora sem deixar mortos.   Os confrontos desta sexta-feira representam a culminação de anos de tensão entre a Rússia e a Geórgia, durante os quais houve rusgas militares e embargos comerciais russos aos produtos georgianos.   Grande parte da disputa concentra-se em dois territórios apoiados pela Rússia: A Ossétia do Sul e a Abkházia. Ambos romperam com a Geórgia em conflitos sangrentos em meio ao colapso da União Soviética, no início da década passada. Na época, os líderes desses dois territórios rebeldes desejavam continuar fazendo parte da URSS, com a qual a Geórgia queria romper. Posteriormente, depois do colapso da URSS, as duas províncias buscaram separar-se. Até hoje, porém, nenhum país reconhece formalmente a independência delas.   Muitos analistas consideram estas e outras zonas "conflito dormente" nas ex-repúblicas soviéticas como a linha de frente de uma nova espécie de Guerra Fria, movida pela determinação de Moscou em fazer com que seus vizinhos continuem em sua esfera de influência e evitar que se aliem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ou à União Européia (UE).   Os EUA, a Otan, a UE e a OSCE pediram a Moscou e a Tbilisi que abandonem o conflito e busquem uma solução negociada para o conflito, mas os apelos aparentemente não surtiram efeito.   Os dois lados acusam-se mutuamente pelo início da conflagração. Autoridades georgianas alegam terem bombardeado a Ossétia do Sul porque rebeldes teriam violado um cessar-fogo. Tanto o Exército russo quanto os comandantes separatistas ossetianos asseguram que a Geórgia atacou o território rebelde sem que houvesse provocação. Nesta sexta, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, alegou que seu país está sendo "vítima de uma agressão militar em larga escala".     (Matéria atualizada às 15 horas)  

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