Sérvia avisa que pode intervir se violência explodir no Kosovo

Presidente sérvio afirma que não reconhecerá independência e preservará sua integridade por métodos democráticos

Efe,

17 de janeiro de 2008 | 01h00

O presidente da Sérvia, Boris Tadic, alertou nesta quarta-feira, 16, ao Conselho de Segurança da ONU que seu país está pronto para intervir no Kosovo para proteger a minoria sérvia se houver uma explosão de violência na província. Tadic explicou que a intervenção acontecerá se as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Kosovo não protegerem os sérvios "de maneira apropriada" e conforme "o acordo de instituições internacionais competentes". O presidente sérvio apresentou a sua advertência durante a participação em uma reunião do Conselho para analisar o último relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a administração interina das Nações Unidas no Kosovo (Unmik). O primeiro-ministro kosovar, Hashem Thaçi, também discursou na reunião, mas a portas fechadas. Tadic reafirmou que a independência unilateral da província violaria a Carta das Nações Unidas, que garante a integridade de seus membros. "A Sérvia nunca reconhecerá a independência do Kosovo e preservará sua integridade e soberania por métodos democráticos, argumentos legais e diplomacia", afirmou. Segundo o presidente sérvio, os únicos argumentos kosovares para solicitar a independência são as ações do governo liderado por Slobodan Milosevic, que promoveu uma sangrenta repressão da maioria albanesa nos anos 90. A situação levou à intervenção internacional na província, em 1999. Thaçi desprezou a advertência do presidente sérvio. Ele lembrou que haverá eleições presidenciais dia 20 de janeiro na Sérvia. O líder kosovar acrescentou que "em breve" haverá uma decisão sobre a possível declaração unilateral de independência, que ele espera ver reconhecida pelos Estados Unidos e boa parte dos países da União Européia (UE). "O Kosovo construiu instituições democráticas e multiétnicas, com as quais está pronto para passar a uma nova fase", disse. O embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad, disse que o Conselho ouviu "com respeito" o presidente sérvio. "Sabemos para onde vamos. O tema está travado no Conselho de Segurança, mas sempre dissemos que o caso se resolverá de uma maneira ou outra", acrescentou. A Rússia exige que o futuro do Kosovo seja subordinado a uma aprovação da Sérvia, que se opõe ao plano de independência aconselhado pelo antigo mediador internacional, o ex-presidente finlandês Martii Ahtisaari. EUA e seus aliados europeus consideram que a falta de acordo demonstra a inutilidade de continuar um diálogo.

Tudo o que sabemos sobre:
SérviaKosovo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.