Sérvia encontra vala comum com 250 corpos de albano-kosovares

As autoridades sérvias descobriram uma vala comum com até 250 corpos, supostamente de kosovares de etnia albanesa, mortos durante a guerra de 1998 a 1999 no Kosovo, província sérvia que passou anos como protetorado da Organização das Nações Unidas (ONU) e que declarou independência em 2008.

GORDANA FILI, REUTERS

10 Maio 2010 | 18h19

Promotores sérvios de crimes de guerra disseram ter sabido por meio de testemunhas que havia cadáveres sepultados sob um prédio de escritórios em Rudnica, no sul da Sérvia, perto da fronteira com Kosovo.

Autoridades kosovares pressionam a Sérvia a continuar procurando corpos que tenham sido transferidos para a região por forças sérvias que teriam tentado acobertar suas atrocidades contra os albaneses, que formam a maioria da população em Kosovo.

"Segundo depoimentos de testemunhas oculares, o sítio contém 250 corpos de albano-kosovares", disse o promotor Vladimir Vukcevic a jornalistas, sem dar detalhes de quem foram as testemunhas.

Uma missão da União Europeia voltada para a imposição da lei e da ordem no Kosovo disse ter ajudado a Sérvia com informações. "Mas ainda estamos esperando a confirmação de se o sítio foi de fato localizado", disse nota da missão, conhecida como Eulex.

O vice-primeiro-ministro do Kosovo, Rame Manaj, disse que vários pedidos já haviam sido feitos para que Belgrado verificasse o local.

"Isso é evidência de que a Sérvia foi a perpetradora do crime e estava tentando ocultar seus crimes, mas não pode escondê-los para sempre", disse Manaj à Reuters.

"Temos informações sobre outra vala comum perto da cidade de Medvedja, no sul da Sérvia", afirmou ele, acrescentando que ainda há outros 1.860 desaparecidos da guerra, inclusive cerca de 400 sérvios e outros não albaneses.

Essa foi a sexta vala comum descoberta desde 2000. A maior, com os corpos de mais de 800 albano-kosovares, foi achada em 2001, num campo de treinamentos policiais perto de Belgrado.

Vukcevic disse que a descoberta da nova vala comum é um sinal de que a Sérvia está encarando seu passado e se comprometendo a "investigar cada crime a despeito de quem o cometeu."

"Esse é o melhor jeito de levar à reconciliação nesta região", acrescentou. "Esta é a nossa obrigação perante as vítimas e suas famílias. Nossa meta é que haja justiça para as vítimas."

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