Sérvia espera que Corte de Haia declare ilegal independência do Kosovo

Tribunal define situação do território na quinta; independência foi declarada em 2008

Efe

21 de julho de 2010 | 14h41

BELGRADO - A Sérvia confia que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) declarará ilegal a independência do Kosovo na quinta-feira, 22, em Haia, onde será anunciada a decisão. Caso a independência kosovar seja negada, os servos poderão renegociar o "status quo" do território.

 

A possibilidade é descartada categoricamente pelos kosovares, que consideram o processo da independência do Kosovo, declarado em fevereiro de 2008, irreversível e estão "otimistas" sobre o pronunciamento da CIJ.

 

"O governo sérvio tem respostas preparadas a qualquer opção, mas nossas expectativas são de que a decisão da CIJ será favorável a nós. A esse respeito, teremos uma iniciativa para que se pronuncie a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)", disse à imprensa Oliver Ivanovic, secretário de Estado do Ministério sérvio para o Kosovo.

 

O ministro de Exteriores sérvio, Vuk Jeremic, anunciou uma intensa atividade diplomática centrada na "difícil tarefa" de ganhar a maioria na Assembleia Geral da ONU para que apoie o pedido sérvio de novas negociações, que levem a um compromisso sobre o estatuto do Kosovo. Belgrado é "consciente" da "intensa propaganda albanesa e pressões" de algumas das grandes potências mundiais, como os EUA e a União Europeia, para que renuncie a ideia.

 

Em outubro de 2008, a Sérvia teve um importante triunfo diplomático ao ganhar o apoio da maioria na Assembleia Geral da ONU para pedir o parecer da CIJ sobre a legalidade da independência do Kosovo. Até agora, Kosovo foi reconhecido por 69 países, entre estes Estados Unidos, Japão e 22 membros da União Europeia (UE), mas não Espanha, Rússia, China, Brasil e Índia, entre outros.

 

Pristina proclamou a independência da província sérvia em 17 de fevereiro de 2008, apesar da rotunda oposição da Sérvia e após várias rodadas de negociações infrutíferas. Para a Sérvia, esse ato representou uma tentativa por motivos étnicos e uma violação ao direito internacional.

 

A CIJ abriu em novembro as audiências a esse respeito, cuja opinião não é vinculativa, mas se considera que terá um importante peso político e jurídico.

 

Belgrado insiste em não reconhecer o Kosovo como país independente "nem implícita, nem explicitamente", enquanto Pristina afirma que sua independência não pode ser questionada juridicamente e que só pode ter conversas com a Sérvia sobre assuntos práticos e técnicos "entre dois países soberanos".

Tudo o que sabemos sobre:
Kosovosérviaindependência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.