Sérvia expulsa embaixadores da Macedônia e Montenegro

Vizinhos reconhecem independência de Kosovo e elevam tensão; autor de plano para o Estado ganha o Nobel

Agências internacionais,

10 de outubro de 2008 | 12h31

A Sérvia expulsou nesta sexta-feira, 10, o embaixador da Macedônia do país, refletindo a tensão pelo reconhecimento da independência de Kosovo pelos países da região. A medida é a mesma tomada por Belgrado com relação ao embaixador de Montenegro, outro país vizinho que também reconheceu a independência do Kosovo.   Veja também: A disputa dos Bálcãs   Em comunicado, a Chancelaria informou que o embaixador Aleksandar Vasilevski deve abandonar Belgrado o mais rápido possível. O embaixador sérvio na Macedônia, Zoran Popovic, entregou às autoridades de Skopje uma nota de protesto em que, entre outras coisas, pede que a decisão sobre o reconhecimento seja reconsiderada. Segundo o Ministério de Relações Exteriores, o diplomata terá 48 horas para deixar a Sérvia.   A Sérvia considera o ato como uma violação de sua soberania e integridade territorial e deixou claro que as medidas contra Montenegro e Macedônia, seus vizinhos mais próximos, serão mais sérias que as tomadas contra outros países que reconheceram o Kosovo. O primeiro-ministro de Kosovo, Hashim Thaci, elogiou nesta sexta-feira a decisão dos vizinhos de reconhecerem formalmente Kosovo como um Estado independente.   "Em nome das instituições da República de Kosovo, eu gostaria de agradecer e saudar os governos dos dois países vizinhos Montenegro e Macedônia pelo reconhecimento de Kosovo", disse Thaci a repórteres. "A decisão (irá)...fortalecer ainda mais a paz, a estabilidade e a cooperação regional."   Na quarta-feira, a Assembléia Geral da ONU aprovou uma moção sérvia, pedindo que o caso seja levado à Corte Internacional de Justiça. O órgão deve determinar se a independência kosovar está de acordo com a legislação internacional. Nesta sexta-feira, o presidente sérvio, Boris Tadic, afirmou que a decisão tomada por Montenegro e Macedônia era "muito errada". Kosovo declarou-se independente de Belgrado unilateralmente, em fevereiro. Tadic disse que o apoio dos países vizinhos "ameaça a integridade territorial da Sérvia".   Nobel   O Comitê Nobel de Oslo recompensou o trabalho como mediador durante três décadas em conflitos internacionais do ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari e o concedeu o Nobel da Paz 2008, em uma escolha de acordo com as previsões. Uma de suas missões mais recentes foi como enviado especial da ONU às negociações sobre o processo de status do Kosovo, que declarou independência da Sérvia este ano.   Um irmão do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic se mostrou "indignado" com premiação. "Estou indignado com essa decisão, já que não considero Ahtisaari merecedor dessa honra", afirmou Borislav Milosevic em declarações à emissora de rádio Eco de Moscou.   Borislav Milosevic, ex-embaixador sérvio na Rússia e que mora atualmente em Moscou, acrescentou que "os prêmios Nobel são usados, não raras vezes, com fins políticos", e "este é um desses casos".   O documento sobre o estatuto do território de maioria albanesa elaborado por Ahtisaari, que previa sua independência sob tutela internacional, foi rejeitado por Sérvia e Rússia.

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