Sérvia mobiliza polícia para ato contra extradição de Karadzic

Nacionalistas convocam protesto que pode ser a maior em Belgrado neste ano; tribunal não recebe apelação

Agências internacionais,

29 de julho de 2008 | 08h48

A polícia sérvia desdobrou grandes medidas de segurança para evitar incidentes durante o protesto convocado pelos setores nacionalistas do país contra a prisão e a extradição do acusado de genocídio e crimes de guerra Radovan Karadzic. A transferência para o Tribunal Penal Internacional, em Haia (Holanda) foi adiada por alguns dias, pois o tribunal de Belgrado ainda não recebeu o recurso contra sua extradição.   Veja também: Justiça bósnia condena sete por massacre em Srebrenica Sérvia não entrará na UE se não extraditar Karadzic Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   A manifestação pode ser a maior já realizada na capital sérvia desde fevereiro, quando centenas de milhares de pessoas protestaram contra a proclamação da independência de Kosovo, em uma jornada de violência em que grupos atacaram a embaixada dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, além de provocar distúrbios e atos de vandalismo.   "O objetivo é proteger os bens estatais e os cidadãos, a segurança dos participantes da manifestação e os representantes dos meios de comunicação", disse um dos chefes da polícia de Belgrado, Slobodan Vukolic. O Ministério do Interior anunciou que o ato será gravado e fotografado, para que o governo tenha material para identificar possíveis agressores.   O protesto, que começa às 19 horas locais (13h no horário de Brasília) foi convocada pelo Partido Radical Sérvio. A legenda afirmou que a manifestação será "pacífica e digna" e pretende resistir ao "regime ditatorial de Boris Tadic", presidente sérvio.   Apelação contra extradição   O Tribunal de Belgrado informou nesta terça que ainda não recebeu a apelação do advogado de Karadzic contra a extradição ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia, onde será julgado. Quando receberem a apelação, as autoridades sérvias terão um prazo de três dias a decisão.   "Por enquanto, não há nada de novo a respeito dos dias anteriores" sobre a apelação, disse a porta-voz do tribunal Ivana Ramic. O objetivo do advogado de Karadzic, Svetozar Vujacic, é adiar a extradição o máximo possível, embora não seja possível impedi-la.   De acordo com os serviços secretos, há dezenas de maneiras para extraditar Karadzic da maneira discreta, como em veículos camuflados, através de saídas secretas e em viagens ao amanhecer em veículos falsos, que despistem as câmeras de televisão, que estão presentes do lado de fora da prisão, do tribunal e do aeroporto.   "Somente dez pessoas na Sérvia sabem exatamente o que acontecerá", adiantou à agência de notícias Reuters um alto funcionário do governo, que não quis se identificar. Outro indicou que não será um espetáculo público. "Acontecerá da forma mais discreta possível", acrescentou.   Não há um prazo legal previsto para esperar que se receba a apelação por envio postal, e tudo dependerá da avaliação do tribunal. Karadzic foi detido em 21 de julho nos arredores de Belgrado, onde vivia e trabalhava com identidade falsa. O ex-presidente servo-bósnio é acusado pelo TPII do genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

Tudo o que sabemos sobre:
Radovan Karadzic

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.