Sérvia pede comprometimento da UE em reunião com lideranças balcânicas

Em cúpula na Turquia, países da região discutem importância da adesão a União Europeia

AP

23 de junho de 2010 | 13h14

ANCARA - O líder da Sérvia pediu nesta quarta-feira, 23, para União Europeia abertamente dizer ao seu país "sem qualquer tipo de desculpas" se quer ou não que a Sérvia se junte ao bloco de 27 nações ou não. O presidente da Turquia também urgiu a UE se abstenha de adotar medidas que atrasem o processo de adesão.

 

A crítica do presidente de origem bósnia, Boris Tadic, vem apesar das garantias por parte da UE no início deste mês de que a porta permanece aberta para a Croácia, Sérvia, Bósnia, Albânia, Kosovo, Macedônia e Montenegro se cumprirem os critérios de adesão.

 

As condições da UE para a adesão incluem o reforço do Estado de Direito, a luta contra a corrupção e o crime organizado, garantindo a liberdade de imprensa e de cooperação regional. Até agora, nenhum país da região conseguiu se qualificar, com a Croácia sendo a mais próxima de se juntar, provavelmente em 2012.

 

Os estados dos Bálcãs estão preocupados que membros da UE podem não querer se expandir dada a atual crise financeira. As autoridades dos Bálcãs argumentam que o alargamento da UE não provocou a crise e não deve ser colocado em espero.

 

A UE primeiramente prometeu às nações balcânicas um futuro na União Europeia há uma década atrás, quando os países dos Bálcãs Ocidentais mal falavam uns com os outros após o mais sangrento conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que matou dezenas de milhares de pessoas e deixou milhões desabrigados. Agora eles se tornaram importantes parceiros comerciais e não mais refúgios para criminosos de guerra.

 

"Nós não queremos ser usados como um pretexto para não fazer absolutamente nada", disse Tadic, na abertura de uma cúpula dos Bálcãs, em Istambul.

 

A Turquia também reclamou do que chama de "dois pesos e duas medidas" na abordagem da UE a sua candidatura própria para se tornar membro de pleno direito, ao que se opõem a França e a Alemanha, com as preocupações sobre a admissão de um grande país muçulmano no bloco. A Turquia também foi convidada a melhorar o seu histórico de direitos humanos, conceder mais direitos para os curdos e as minorias não-muçulmanas, reduzir os poderes dos militares para reforçar sua democracia e retirar as tropas turcas da ilha dividida de Chipre.

 

"Queremos que a UE apoie as associações de países e se abstenha de tomar medidas que possam atrasar o processo", o presidente turco, Abdullah Gul Said.

 

Mas Gul soou otimista para o alargamento da UE. "Eu acredito que todos os nossos caminhos ( dos países dos Bálcãs) irão se cruzar, sob a égide da União Europeia", disse Gul.

 

Stefan Fule, o Comissário para o alargamento do bloco, elogiou os progressos da Turquia, mas salientou a necessidade de resolver a divisão de Chipre.

 

"A Turquia tem sido notável a dar passos em direção à adesão", disse Fule. "Acreditamos que a Turquia vai dar total atenção ao problema de Chipre".

 

A parte sul da ilha grega de Chipre aderiu à União Europeia, mas o setor turco do norte não gozaria de privilégios da adesão até a reunificação. O Chipre foi dividido em 1974, quando a Turquia enviou tropas depois de um golpe por partidários da união com a Grécia.

 

O primeiro-ministro grego George Papandreou também foi assistir à cúpula dos Bálcãs da reunião dos 13 membros do Processo de Cooperação do Sudeste Europeu (SEECP em inglês) e disse que seu país gostaria de ver a Turquia e todos os países da região dos Bálcãs "fazerem parte da UE".

 

Durante a reunião, a Sérvia e o Kosovo sentaram-se à mesma mesa pela segunda vez desde que a ex-província sérvia declarou sua independência em 2008. A ocasião anterior foi em Sarajevo no início deste mês.

 

O presidente da Eslovênia, Danilo Turk, disse que Kosovo não deve ser impedido de participar. Turk disse: "O Kosovo não deve ser visto como um buraco negro do sudeste da Europa".

 

Tadic adiantou que a Sérvia nunca reconhecerá a separação.

 

"A Sérvia nunca, em qualquer circunstância, irá reconhecer a declaração unilateral de independência", disse.

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