Sérvia prende último suspeito importante de crimes de guerra

A Sérvia prendeu na quarta-feira o último suspeito importante de crimes de guerra da ex-Iugoslávia que ainda estava foragido, encerrando o que o presidente do país qualificou como uma página "onerosa" na história nacional, e aumentando as chances de adesão de Belgrado à União Europeia.

ADAM TANNER E ALEKSANDAR VASOVIC, REUTERS

20 de julho de 2011 | 17h49

Goran Hadzic, que foi líder dos sérvios da Croácia na época da guerra de independência desse país (1991-95), foi capturado por forças sérvias na região do Parque Nacional de Fruska Gora, cerca de 65 quilômetros ao norte da capital.

"Nós o apanhamos quando ele estava prestes a encontrar um colaborador. Ele havia alterado sua aparência e falsificado seus documentos", disse à Reuters um agente familiarizado com o caso. "Ele não resistiu à prisão, mas estávamos preparados para todas as contingências."

A prisão de Hadzic, de 52 anos, é crucial para as ambições sérvias de adesão à UE, pois elimina a sombra de conivência de Belgrado com crimes de guerra, que durante anos afetou sua candidatura.

"Estarei olhando nossos homólogos europeus no olho para ver se eles cumprem o que prometeram", disse a jornalistas o presidente sérvio, Boris Tadic.

Uma pintura roubada, atribuída ao artista italiano Amedeo Modigliani, deu às autoridades uma pista essencial para localizar Hadzic, segundo o promotor sérvio para crimes de guerra.

"A solução veio com a informação de que ele pretendia vender uma pintura roubada de Modigliani, pois estava ficando sem dinheiro", afirmou Vladimir Vukcevic em entrevista coletiva.

Hadzic foi uma figura-chave na república sérvia da Krajina, que tentou se separar da Croácia na época em que a própria Croácia estava se tornando independente da Iugoslávia.

Depois da prisão do general sérvio Ratko Mladic, em maio, Hadzic se tornou o último foragido com mandado de prisão expedido pelo tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) para crimes de guerra da ex-Iugoslávia, que funciona em Haia.

O presidente croata, Ivo Josipovic, celebrou a prisão.

A União Europeia, que já havia elogiado Belgrado pela prisão de Mladic, insistia que a captura de Hadzic era crucial para que a Sérvia concluísse sua adesão ao bloco.

Tadic disse que agentes sérvios prenderam Hadzic perto da aldeia de Krusedol, a curta distância da localidade croata onde ele nasceu. A vizinha região de Fruska Gora contém muitas casas de veraneio e 16 monastérios ortodoxos.

Hadzic é acusado de ordenar a morte de centenas e a deportação de milhares de croatas e outros não-sérvios da região croata que ele conquistou, o que incluía Vukovar, cidade que ainda exibe cicatrizes da guerra terminada há 16 anos.

(Reportagem adicional de Fatos Bytyci, em Pristina; de Aaron Gray-Block, em Amsterdã; e de Justyna Pawlak, em Bruxelas)

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