Sérvia procura responsáveis por identidade falsa de Karadzic

Promotoria diz que acusará que forneceu documentos para ex-líder servo-bósnio acusado de genocídio

Agências internacionais,

24 de julho de 2008 | 09h38

Autoridades sérvias investigam nesta quinta-feira, 24, quem ajudou o ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic a assumir a falsa identidade que permitiu fugir por mais de uma década pela acusação de genocídio atribuída pelas Nações Unidas.   Veja também: Karadzic fará sua própria defesa Com identidade falsa, sérvio era médico alternativo Quem é Radovan Karadzic Sarajevo comemora prisão de Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Bruno Vekaric, porta-voz da Promotoria sérvia para crimes de guerra, afirmou que estas pessoas serão encontradas e processadas. Ele afirmou ainda que os investigadores tentam determinar a verdadeira identidade de Dragan Dabic, o nome que Karadzic usou durante os 12 anos em que fugiu da Justiça.   Karadzic, criminoso da Guerra da Bósnia (1992-1995) capturado segunda-feira na Sérvia, espera pela extradição para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia, na Holanda, onde é acusado de genocídio, delitos de guerra e crimes contra a humanidade. De acordo com seu advogado, Svetozar Vujacic, o ex-líder servo-bósnio está certo da absolvição. "Ele (Karadzic) terá assessoria legal, mas se defenderá sozinho durante o julgamento em Haia", afirmou Vujacic. "Ele está convencido de que, com a ajuda de Deus, triunfará."   Segundo autoridades sérvias, o homem cuja identidade falsa foi usada pelo acusado morreu em 1993 em Sarajevo. Meios de imprensa do país afirmaram que ele foi um soldado que morreu na Guerra da Bósnia. Porém, em Sarajevo, relatos dizem que ele foi um civil morto pelas tropas de Karadzic na tomada da cidade.   As discrepâncias existem porque muitos homens com o mesmo nome viveram em Sarajevo na época. O porta-voz da Promotoria evitou fazer especulações. "Existem muitos Dragan Dabic em Sarajevo, mortos ou vivos". Ele disse ainda que Karadzic obteve a falsa identidade durante o regime do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, morto em 2006.   Vekaric afirmou que os documentos falsos foi emitida em Ruma, cidade ao norte de Belgrado, e um notório comandante paramilitar estaria aparentemente envolvido na papelada. O comandante, Slobodan Medic, está agora em julgamento por ligação com a morte de cerca de 8 mil bósnios muçulmanos no massacre de Srebrenica, o qual Karadzic é acusado de ter ordenado, considerado a maior atrocidade na Europa desde a 2ª Guerra. Ele também é acusado pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, no qual mais de 11 mil pessoas morreram por causa da violência e de fome.   Karadzic está numa prisão em Belgrado, onde deve permanecer até ser extraditado - o que deve ocorrer, segundo a promotoria de crimes de guerra do país, ainda no final de semana. Sua defesa, porém, deve recorrer da extradição na sexta-feira. Segundo Vujacic, o objetivo é atrasar o processo e evitar que Karadzic seja extraditado antes de segunda-feira para que sua família - que vive na Bósnia - possa ir a Belgrado para visitá-lo. Sua mulher e seus filhos são proibidos de deixar a Bósnia por causa de medidas adotadas para reprimir a rede de apoio ao ex-foragido. Eles ainda aguardam a permissão para deixar o país.   A localização de Karadzic era um mistério desde 1998, quando foi considerado oficialmente foragido. Seus primeiros esconderijos supostamente incluíram mosteiros e cavernas nas montanhas em áreas remotas do leste da Bósnia.

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