Sérvia volta à ofensiva contra Kosovo com ajuda da Rússia

A Sérvia voltou à ofensiva contra aindependência de Kosovo no domingo, responsabilizando osEstados Unidos pela crise nos Bálcãs, ao mesmo que a Rússia,aliada dos sérvios, acusou os norte-americanos de destruir a"ordem mundial". Três dias depois que jovens desordeiros de Belgradoenvergonharam o país ao atacar embaixadas ocidentais e saquearlojas, o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, disseque Washington está ameaçando a paz e a estabilidade. Em uma declaração feita em Moscou, a Rússia também acusouWashington de violar leis internacionais. "Os Estados Unidos devem anular o reconhecimento de umEstado falso no território da Sérvia", disse Kostunica. "Devemreafirmar a resolução 1244 do Conselho de segurança da ONU, quegarante a soberania e a integridade territorial da Sérvia." "A continuação da política de força vai aprofundar a criseque mina as fundações da ordem mundial e ameaça a paz aestabilidade nos Bálcãs", disse ele. A Sérvia fez um anúncio oficial de repúdio aos distúrbiosda quinta-feira passada, em que a embaixada dos EUA foiatacada. A missão diplomática norte-americana envioudependentes e funcionários de apoio para a Croácia, porsegurança. Esta semana, a Sérvia recebeu apoio de Moscou. Kostunicadeverá receber Dmitry Medvedev, provável sucessor do presidenterusso Vladimir Putin, na segunda-feira. O ministro das Relações Exteriores russo exigiu, em nota,que se chegue a um compromisso sobre Kosovo. Diplomatasacreditam que Kosovo deverá ser dividida, embora a Sérvia nuncatenha feito essa proposta formalmente. "O apoio apenas ao lado albanês de Kosovo, o desprezo pelalei em nome da chamada 'conveniência política' e a indiferençaquanto ao destino de cem mil sérvios que estão sendoefetivamente jogados em um gueto não representam um cinismoflagrante?", dizia a nota. "Não é cínico que o povo sérvio esteja sendo abertamentehumilhado, enquanto Belgrado recebe a promessa de um futuroeuro-atlântico, caso concorde com a repartição da Sérvia?" A nota do ministro das Relações Exteriores afirma que aRússia teve um contingente de soldados da força de paz emKosovo de 1999 a 2004, sob a égide da força KFOR, da Otan, quetem 17 mil soldados lá. "Foi retirada devido a nossa discordância fundamental com aparcialidade em questões relativas a Kosovo", disse o ministro. Em vez de apoiar a independência do Kosovo albanês e outrasações "destruindo a ordem mundial, deve haver uma decisãobaseada na lei e em um compromisso entre Belgrado e Pristina",disse o ministro, em nota. Não foi especificado que tipo de compromisso a Rússia temem mente. Mas em Kosovo, sérvios étnicos no norte estãoresistindo --com o apoio da Sérvia e da Rússia-- à autoridadedo novo Estado e aos países do ocidente que a legitimam. A Rússia ainda não propôs abertamente um retorno de tropasrussas a Kosovo. Mas seu embaixador na ONU, Vitaly Churkin,advertiu que o país vai agir para impedir que os sérvios deKosovo sejam forçados a aceitar a nova república.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.