Sérvios da Bósnia analisam direitos e estudam declarar independência

Líderes do país muçulmano-croata se motivam com o parecer da Corte Internacional sobre Kosovo

Efe

23 de julho de 2010 | 09h48

BELGRADO - Os sérvios da Bósnia-Herzegovina aproveitaram a sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a legalidade da independência de Kosovo para insinuar que também poderiam avançar rumo à independência de sua república autônoma.

 

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O primeiro-ministro do ente sérvio da Bósnia, Milorad Dodik, declarou nesta sexta-feira, 23, que os servo-bósnios "analisarão com atenção" a decisão tomada ontem em Haia e advertiu que ela "poderia ter grandes consequências na região".

 

"Se ampliarmos a situação, isso significaria que a República Sérvia (da Bósnia) pode aprovar uma declaração sobre a independência já esta noite e que isso não suporia violar o direito internacional, e talvez a Federação (ente muçulmano-croata) poderia fazer isso", disse Dodik ao jornal Blic.

 

O premiê, porém, preferiu não tomar decisões apressadas, mas já prevê uma nação independente. "Analisaremos tudo isso com clareza. Há muitos anos estamos descontentes na Bósnia-Herzegovina, e talvez no futuro poderemos ter um apoio forte para algumas atividades nossas, gostem disso ou não", indicou.

 

Dodik acrescentou que a decisão da CIJ, que considerou política e não jurídica, "humilhou a Sérvia". "Se isto (a independência do Kosovo) não é uma violação do direito internacional, então o futuro está do nosso lado", concluiu o político, que pediu "calma e sabedoria, para que não haja aventuras".

 

A Bósnia-Herzegovina é composta por três grupos étnicos: croatas, sérvios e muçulmanos. No país, há dois entes com ampla autonomia, o sérvio e o comum a muçulmanos e croatas. Embora também tenha instituições de poder comuns, elas não se consolidaram totalmente 15 anos depois da guerra civil (1992-1995).

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