Sérvios preparam ato contra independência de Kosovo

Manifestantes afirmam que mostrarão o compromisso em manter o novo Estado como província do país

Agência Estado e Associated Press,

21 de fevereiro de 2008 | 09h49

Dezenas de milhares de manifestantes sérvios chegaram nesta quinta-feira, 21, na cidade de Belgrado para integrar um protesto contra a declaração de independência de Kosovo, em meio a temores da eclosão de violência. Organizadores disseram que o protesto "Kosovo é Nosso" visa demonstrar o compromisso da Sérvia em manter a província de 2 milhões de habitantes.   Kosovo faz o mundo pisar em ovos  Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs  Veja lista de países que reconhecem a independência do Kosovo    Aulas foram suspensas e a companhia ferroviária estatal oferecia viagens de graça para os que se dirigiam à capital. A mídia local divulgava que multidões rumavam para o local do protesto, que começará na tarde desta quinta (12h30 de Brasília).   Os manifestantes devem se concentrar na frente do parlamento da Sérvia e seguirão em passeata até o templo ortodoxo de Santo Sava para uma missa noturna. Dezenas de nações reconheceram a proclamação de independência de Kosovo feita pela província no domingo, entre elas estão os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Itália.   Existem temores de que o protesto provoque uma nova onda de violência. No começo da semana, ultranacionalistas depredaram a embaixada dos EUA, restaurantes McDonald's e outros interesses ocidentais na capital. Sérvios acusam os EUA de serem os principais incentivadores dos separatistas kosovares. Também foram atacados escritórios do pró-ocidental Partido Democrático Liberal em várias cidades.   Críticos afirmam que os ataques podem ser um prelúdio de uma ação do governo para silenciar a oposição e políticos pró-ocidentais na república dos Bálcãs, numa reminiscência da era quando o país era governado por Slobodan Milosevic.   A iniciativa foi rejeitada pela minoria sérvia que se concentra no norte de Kosovo e pelo governo de Belgrado. Outros países, como China, Rússia e Espanha, também condenaram a iniciativa, argumentando que ela cria um precedente que pode ser explorado por outros grupos separatistas em todo o mundo. O Brasil aguarda uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a declaração de independência para assumir uma posição oficial.   A Embaixada dos EUA advertiu seus cidadãos para manter distância da manifestação, porque ela pode acabar em violência. "Negócios e organizações com filiação aos EUA podem servir de ponto de atração dessas manifestações", afirmou um comunicado.

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